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sábado, 3 de abril de 2010

(entrevista) Ital

Conheci o chileno Daniel “Ital” na Odissey, uma PVT do interior catarinense. Foi quando percebi que os “full ons” que tocavam em festas consideradas comerciais não tinham a mesma magia e pureza de outros projetos.

É incrível a sensação que se tem ao ouvir o som do Daniel, um som cheio de grooves que penetram em nossa alma e nos faz entrar em transe.

“Nas festas comerciais, algumas não tem conceito de passar algo para as pessoas, mas um propósito de só ganhar dinheiro e etc...

TIve a oportunidade de acompanhar o som do Ital por mais duas vezes no Universo Paralello e a cada apresentação uma sensação nova, bem diferente de projetos que há anos insistem em manter o mesmo “live” e não conseguem transmitir emoção em suas apresentações.

Há algumas semanas resolvi fazer uma entrevista com o Daniel sobre sua carreria e música eletrônica. O resultado desse batepapo você confere abaixo.

Nos fale um pouco da sua história com a música antes de conhecer o psytrance. Como surgiu o interesse em fazer m·sica eletrônica?
Bom, desde de pequeno estou envolvido com música. Primeiramente tocando como dj em festas, dos 16 anos até agora!!

Em 2000 foi quando me interessei escutando pela primeira vez, música eletrônica experimental, assim como techno e variantes. Foi logo depois de fazer uma viagem para a Europa. Gostei muito do drum and bass, Brain Dance, comecei a tocar esses estilos por um tempo, logo passei para o techno até conhecer o psytrance.

O seu primeiro projeto foi o "Metatron" qual a diferença do som dele para o Ital de hoje?
Metatron foi o começo de minha carreira como produtor e dj de psytrance. Começou com um amigo meu do Chile (Andres) no ano de 2001, depois de nos conhecermos em uma viagem pelo Equador, onde nos conectamos e sincronizamos para começar o projeto depois do verão, em março do mesmo ano. Nesse ano, nossa influência era totalmente do Goatrance, desenrolando e evolucionando o estilo até criar o meu próprio projeto ITAL. Meu projeto no começo foi bem fullon morning, bem psicodélico, até chega hoje em dia ao Fullon Groove.

Quais as influências no começo da carreira?
Os projetos de goatrance como Transwave, Astral Projection, Xerox & Freeman, Haldolium, Ticon entre outros...

E atualmente quais são essas influências?
Atualmente eu gosto dos projetos Dickster, Burn in Noise, Zen Mechanics, Sonic Species, Tristan, Amd, The first Stone, Aphid Moon , entre outros…

Ital significa pureza e é exatamente isso que você passa para as pessoas que ouvem o seu som, de onde vem essa inspiração para produzi-lo?
A inspiração sempre vem do Universo Infinito que nos dá a vida, da natureza, da Floresta, tudo que nos rodeia e faz que tudo seja... acho que como toda arte, nós só somos pessoas que canalizamos a energia divina para ser reenviada ao universo.

Em meu caso a música que se expande como ondas sonoras de luz para este mundo material em que vivemos e espero que vá para muito longe, por todos os cantos do planeta.

Como explicar o seu som para aqueles que não o conhecem?
Musica ital, música pura, música do grande espírito de luz que nos crê e dá a vida.

Como é a cena eletrônica no Chile? Onde são feitas as festas, o tipo de som que toca, como é o público...
Bom, a música no Chile segue crescendo, a cena cada dia maior com as novas gerações de pessoas que gostam do psy. As festas são geralmente nas montanhas, fazendas e em lugares relativamente perto da cidade de Santiago, a galera não gosta de ir muito longe, mas continua sendo uma cena muito nova, ainda tem um caminho longe para percorrer e crescer.

O melhor de tudo, é que quase todos os Lives e djs tocam um estilo de psytrance mais sério e não comercial.

De projetos chilenos além de Ital, conhecemos também Ovnimoon (do Hector) existe algum outro projeto/produtor que destacaria?
Claro, existem 3 projetos que eu gosto muito e que estamos trabalhando juntos também, todos no estilo do fullon groove:
Moai Act: myspace.com/moaiact
Zlott: myspace.com/zlottmusic
Telepatic: myspace.com/telepaticlive

A música eletrônica mudou muito durante os últimos anos, como o surgimento de várias vertentes e também o “boom” das festas comerciais. Como você vê essas mudanças?
De alguma maneira, essa alteração na cena psicodeliga, estragou um pouco. Nas festas comerciais, algumas não tem conceito, de passar algo para as pessoas, mas um propósito de só ganhar dinheiro e etc...  isso que é foda, e é uma pena porque a essência do psytrance nesse aspecto de ter a conexão com a natureza e nossas raízes, se perdeu um pouco.

Daniel tocando prog, minimal ou até mesmo dark é possÌvel vermos isso um dia?
Acho que nao!!!

Hoje as drogas sintéticas estão relacionadas diretamente com a música eletrônica, como você vê essa ligação entre drogas x música?
Eu acho que a droga não tem nada haver com a música... acho que a música leva uma mensagem para ser escutada e interiorizada pelas pessoas, como um conceito de vida. Entregar essa luz do nosso trabalho, qualquer que seja ele, em nosso dia a dia, para que e cada um deles sejamos melhores pessoas.

De alguns anos para cá estamos vendo os MP3 Player conquistarem cada vez o mercado devido a sua capacidade e principalmente o seu preço. E juntamente com isso, o MP3 vem se difundindo ainda mais na internet. Como você encara isso tudo? Isso atrapalha o trabalho do artista?
Claro que atrapalha e muito, porque as pessoas em vez de apoiar o duro trabalho dos artistas e músicos, todo o tempo e dedicação investida, muitas pessoas caem na pirataria, e no final a música chega de qualquer jeito para as pessoas não sendo valorizado de verdade todo o trabalho que ela leva.

Você já· morou no Brasil, como foi sua passada por aqui? Quais os lugares mais incríveis que conheceu aqui e quais os melhores para se tocar?
Brasil é minha segunda terra, eu gosto demais, acho que algo muito especial. Eu já toquei em quase 14 estados, mas cada lugar tem algo especias e energias muito poderosas. Muitas pessoas legais, amigos e pessoas anciosas de entregar o real espírito psy.

Eu gostei muito das ediçõs do Universo Paralello o qual estive 5 vezes, tocando. A Bahia é a Bahia ! Galera da Ecologic em Vitória, além da Amazonia e todo o Nordeste tem algo familiar. São Paulo tem algumas festas muito boas de conceito, como a Respect e a Mystic Tribe, que continuam divulgando o verdadeiro espírito da música psytrance.

Em relação ao cenário eletrônico mundial como está o Brasil? O que temos que melhorar ou acrescentar e o que temos a ensinar?
Acho que o Brasil está demais!! Eu já toquei em vários lugares da Europa e acho que não tem nada que invejar de lá, no Brasil há gente muito alegre, pacífica e dançante.

Acho que a real cena psicodelica está cada dia crescendo e mais gente curtindo e se conectando com este espírito.

Uma apresentação inesquecível e por quê?
Universo Paralello sem dúvida, nada melhor que as praias da Bahia em um grande festival como o UP, acho que é um dos melhores do mundo com certeza!!

Na sua opinião, cite alguns projetos / produtores que estão em um grande momento e outros que estão em ascensão.
Os meus favoritos: Dickser, Burn in Noise, The first Stone, Logica, Avalon, Sonic Species…..

Se pudesse tocar ao lado de um DJ qual seria?
Acho que já toquei ao lado de quase todos os meus projetos favoritos!!! (Risos) Agradeço por isso...

Como é o Daniel fora das pickups? O que faz, o que houve, onde vai?
Eu dedico minha vida à música, só faço isso, todo dia! É meu trabalho e como artista, como falei antes, é minha missão canalizar e divulgar a mensagem de luz do universo, através de nossa arte... acho que temos muito para despertar em nosso espírito, assim como as pessoas e acho que a música é um meio muito poderoso para a transmissão de energia divina para esse despertar do espírito universal.

Acho que todos somos guerreiros de luz e cada pessoa leva essa luz no coração e a despertamos em diferentes momentos da vida.... mas no final desse caminho, vamos todos para o mesmo lugar. Assim como uma simples pessoa, os melhores desejos para todos os seres que chegaram, que estão e que virão a chegar na terra.

Para o ano de 2010 existe alguma novidade? Vem um novo CD por ai?
Claro, prontamente já vem meu novo EP 2010 que vai sair pela minha gravadora Antu  Records do Chile, minha compilação é para julho e logo meu novo albúm para julho/ agosto... espero que a galera goste e o sinta, porque todo meu trabalho foi feito com muito carinho para todos os amantes do psy.

Além de vários tours pelo Brasil e pela Europa em julho e agosto, tem vários festivais e festas pela Alemanha, Suíca e Portugal por agora...

Estou muito ancioso pra minha participação no BOOM festival 2010, um dos grandes festivais do mundo!!!! Obrigado Deus e grato à vida.

Mais: myspace.com/itallive
Agradecimentos: Iohannah Hardy

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segunda-feira, 29 de março de 2010

"Não existe droga segura"

Essa semana foi quase impossível achar algo de interessante nas revistas semanais, o julgamento dos Nardoni, invadiram todas as editorias dos principais veículos do país. Alguns inclusive só faltaram crucificar o casal em praça pública. Mas fazer o que…

É isso que o povo gosta, é isso que o povo quer ver. Viva o “panis et circenses”.

Porém na edição 2158 da revista VEJA achei uma excelente entrevista com Nora Volkow. A psquiatra fala sobre as drogas, seus efeitos e vicios.

A diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas afirma que nem mesmo a maconha nem muito menos a DMT, presente no chá do Santo Daime, podem ser consideradas inofensivas

A psiquiatra mexicana Nora Volkow, 54 anos, é uma das mais importantes pesquisadoras sobre drogas no mundo. Quando, porém, o assunto são os danos neurobiológicos que essas substâncias causam, Volkow pode ser considerada a número 1. Foi a psiquiatra quem primeiro usou a tomografia para comprovar as consequências do uso de drogas no cérebro e foi também ela quem, nos anos 80, mostrou que, ao contrário do que se pensava até então, a cocaína é, sim, capaz de viciar. Desde 2003 na direção do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas, nos Estados Unidos, Volkow esteve no Brasil na semana passada para uma palestra na Universidade Federal de São Paulo. Dias antes de chegar, falou a VEJA, por telefone, de seu escritório em Rockville, próximo a Washington.

Há quinze dias, um cartunista brasileiro e seu filho foram mortos por um jovem com sintomas de esquizofrenia e que usava constantemente maconha e dimetiltriptamina (DMT), na forma de um chá conhecido como Santo Daime. Que efeitos essas drogas têm sobre um cérebro esquizofrênico?
Portadores de esquizofrenia têm propensão à paranoia, e tanto a maconha quanto a DMT (presente no chá do Santo Daime) agravam esse sintoma, além de aumentar a profundidade e a frequência das alucinações. Drogas que produzem psicoses por si próprias, como metanfetamina, maconha e LSD, podem piorar a doença mental de uma forma abrupta e veloz.

Que efeitos essas drogas produzem em um cérebro saudável?
Em alguém que não tenha esquizofrenia, os efeitos relacionados com a ansiedade e com a paranoia serão, provavelmente, mais moderados. Não é incomum, porém, que pessoas saudáveis, mas com suscetibilidade maior a tais substâncias, possam vir a desenvolver psicoses.

Estudos conduzidos pela senhora nos anos 80 provaram que a cocaína tinha, sim, a capacidade de viciar o usuário e de causar danos permanentes ao cérebro. Até então, ela era considerada uma droga relativamente "segura". Existe alguma droga que seja segura no que diz respeito à capacidade de viciar e de causar danos à saúde?
Não existe droga segura, a não ser a cafeína. Como ela é estimulante e produz efeitos farmacológicos nos receptores de adenosina, é, sim, uma droga. Mas não há evidências de que vicie nem de que seja tóxica - a não ser que você tenha problemas cardiovasculares. Ainda não sabemos se é prejudicial a crianças e adolescentes, mas para adultos não há nenhum problema.

E a maconha?
Há quem veja a maconha como uma droga inofensiva. Trata-se de um erro. Comprovadamente, a maconha tem efeitos bastante danosos. Ela pode bloquear receptores neurais muito importantes. Estudos feitos em animais mostraram que, expostos ao componente ativo da maconha, o tetraidrocanabinol (THC), eles deixam de produzir seus próprios canabinoides naturais (associados ao controle do apetite, memória e humor). Isso causa desde aumento da ansiedade até perda de memória e depressão. Claro que há pessoas que fumam maconha diariamente por toda a vida sem que sofram consequências negativas, assim como há quem fume cigarros até os 100 anos de idade e não desenvolva câncer de pulmão. Mas até agora não temos como saber quem é tolerante à droga e quem não é. Então, a maconha é, sim, perigosa.

A senhora concorda que ela seja a porta de entrada para outras drogas?
Se você olhar os dados, verá que a maior parte dos usuários de cocaína começou com a maconha. Mas, ao olharmos os dados de quem fuma maconha, veremos que essas pessoas geralmente começaram com cigarros ou álcool. Qual seria a verdadeira droga de entrada, então? Uma das leituras sobre essa questão é que, durante a adolescência, as pessoas bebem e fumam cigarros porque esses produtos estão disponíveis e são legais e, quando crescem, elas se tornam propensas a usar drogas mais pesadas. Uma leitura alternativa é que a exposição à nicotina e ao álcool na juventude faz com que as pessoas fiquem mais vulneráveis aos efeitos de outras drogas. Para mim, essa é a hipótese correta. A exposição precoce às drogas muda a sensibilidade do sistema de recompensa do cérebro. Como esse sistema se torna menos sensível, os dependentes químicos buscam uma compensação nas drogas.

Por que em geral as pessoas começam a usar drogas na adolescência?
O cérebro do adolescente é muito menos conectado do que o de um adulto. Como resultado, os adolescentes não conseguem controlar e regular a intensidade de suas emoções e desejos da mesma forma que os mais velhos. Isso faz com que vivam de maneira mais vigorosa, mas, ao mesmo tempo, assumam riscos maiores, como experimentar drogas.

O uso de drogas na adolescência é mais perigoso do que na vida adulta?
Certamente, porque o cérebro de um adolescente é mais plástico e mais sensível aos estímulos externos que vão moldá-lo. A forma que seu cérebro vai tomar na idade adulta depende muito dos estímulos que você recebeu quando criança e adolescente. O risco de desenvolver o vício também é maior para o adolescente. O motivo é o mesmo: a plasticidade cerebral nessa fase, que faz com que o jovem apreenda informações muito mais facilmente do que o adulto.

Por que é tão difícil quebrar o ciclo de desejo, compulsão e perda de controle que o vício traz?
É difícil porque o cérebro, em consequência do uso de drogas, é modificado de maneira física. A dependência química é uma doença cerebral que muda a bioquímica, a função e a anatomia do cérebro. Ocorre da seguinte maneira: todas as drogas aumentam a concentração de dopamina no cérebro. Quando o sistema dopaminérgico é ativado vez após outra pelo consumo repetido dessas substâncias, ele sofre modificações, de forma que passa a não funcionar mais quando a pessoa não está sob efeito da droga. Com isso, o usuário procura usar mais drogas - para tentar compensar esse déficit.

O que faz alguém se viciar em uma droga?
Isso pode variar de pessoa para pessoa e de acordo com o tipo de droga. Mas, de modo geral, é preciso que a pessoa seja exposta à substância repetidamente. Mesmo nessas condições, nem todos os usuários se viciam. Porém cerca de 10% deles desenvolvem o vício depois de pouco tempo de uso. Nos casos em que isso ocorre, o usuário tem uma vulnerabilidade que pode ser de ordem biológica ou social. Isso significa que ele pode ter uma predisposição genética para o vício ou estar sob algum tipo de stress que ajudou a disparar o gatilho da adição. Os traumas mais potentes ocorrem na infância: abandono, repetidas negligências, abusos físicos, sexuais, convivência com pais presos ou portadores de doenças mentais. Mas é claro que nada disso resulta em vício se a pessoa não tiver acesso às drogas.

É possível curar o vício?
Nós não podemos curá-lo atualmente, apenas tratá-lo. Quando você tem uma infecção bacteriana, toma um antibiótico e está curado. Agora, se você tem asma ou diabetes, tem de tomar algum tipo de medicamento ao longo de sua vida. É um tratamento para sua condição, não uma cura. Hoje, existem apenas tratamentos para o vício, que combinam medicamentos e terapias comportamentais. Estamos desenvolvendo uma vacina contra o vício de cocaína e nicotina, mas são apenas pesquisas ainda.

É possível, depois de se reabilitar, voltar a usar drogas sem se viciar?
Há casos já identificados. Por muito tempo se disse, principalmente sobre o alcoolismo, que, se você é alcoólatra, nunca, mas nunca mesmo, poderá chegar perto de novo da droga. Em pesquisas, há evidências de que alguns alcoólatras conseguem voltar a beber um ou dois copos de vez em quando sem se viciar, mas eles são a minoria. O problema é que não sabemos quem será capaz de se ater a apenas alguns drinques e quem vai se viciar de novo, por isso recomendamos clinicamente que todos fiquem afastados da droga.

Está em curso no Brasil uma campanha para descriminalizar a maconha. A senhora concorda com isso?
Não concordo porque, ao descriminalizar a maconha, você estará contribuindo para que mais gente a consuma. Há quem não fume por medo da repercussão negativa que a atitude pode provocar - e descriminalizá-la significa dizer: "Se você fumar, está tudo bem".

Um grupo de pesquisadores brasileiros está discutindo a possibilidade de permitir o uso medicinal da maconha. Quais são os benefícios já comprovados da droga?
As pesquisas mostram que os canabinoides, inclusive o THC, têm algumas ações terapêuticas úteis. Por exemplo, diminuem a resposta à náusea, o que é muito útil para pacientes com câncer que estão enfrentando uma quimioterapia. Outra vantagem comprovada é que eles aumentam o apetite e podem ajudar a combater a anorexia que acomete pacientes com doenças como a aids, por exemplo. Além disso, podem ter benefícios analgésicos e diminuir a pressão interna do olho, o que pode evitar um glaucoma. O que nosso instituto apregoa é que você pode ter o benefício dos canabinoides sem os efeitos colaterais que resultam do fumo da maconha, como a perda de memória, por exemplo. Por isso, estamos encorajando o desenvolvimento de medicamentos que maximizem as propriedades terapêuticas da droga sem seus efeitos danosos. No mercado americano, já existem algumas pílulas, como a Marinol, que permitem isso.

Em suas pesquisas a senhora descobriu que o córtex orbitofrontal, a principal área do cérebro afetada por quem tem transtorno obsessivo-compulsivo, também está ligado ao vício. É essa a chave da compulsão pelas drogas?
Eu concluí que a pessoa viciada em drogas desenvolve uma obsessão e uma compulsão pela droga similares às daquela que tem transtorno obsessivo-compulsivo. O que o vício e o TOC têm em comum é que ambas as doenças afetam as mesmas áreas do cérebro, aquelas relacionadas aos hábitos e aos controles. Mas, embora o local afetado seja o mesmo e a apresentação dos sintomas se dê de forma parecida, os mecanismos que levam a essas anormalidades não são.

A senhora também estudou a função da dopamina em quem come compulsivamente. Que relações se podem fazer entre a obesidade e o vício em drogas?
Ambos resultam em uma busca compulsiva por uma recompensa: no caso da obesidade é a comida e no caso da adição é a droga. Nos dois, há a perda de controle. Quem é patologicamente obeso come mesmo quando não quer. Podemos dizer que algumas pessoas parecem ser viciadas em comida, embora até o momento isso não tenha sido aceito nas comunidades clínica e científica.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse recentemente que o povo americano tem uma demanda insaciável por drogas. A senhora acredita que essa demanda é mesmo mais intensa nos EUA do que em outros países?
O prazer oriundo das drogas é uma comodidade que você compra, como um luxo. Então há, sem dúvida, um elemento econômico nessa discussão. Também existem elementos relacionados à estrutura social e às normas. Os americanos são mais tolerantes em relação a comportamentos diferentes do que muitos outros povos. Isso resulta também em maior aceitação do uso de drogas.

A senhora nunca sentiu vontade de experimentar alguma droga?
Bebo de vez em quando um copo de vinho e experimentei cigarros quando era adolescente. Nunca usei cocaína, maconha nem outro tipo de droga ilícita. Amo meu cérebro e nunca pensei em estragá-lo.

Por: Kalleo Coura
Fonte: Revista VEJA (ed. 2158 – 29/03/2010)

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

(entrevista) M.A.N.D.Y

Dupla fala sobre sorte e como cuidar de um selo em 2009

"Nós nos perguntamos se temos sorte, e definitivamente tivemos bastante. É sempre uma combinação de hora certa, fazer a coisa certa e estar cercado das pessoas certas".

Rindo, provocando e terminando as frases um do outro enquanto discutem sua carreira de 15 anos na dance music, o duo M.A.N.D.Y., da Get Physical, formado por Phillip Jung e Patrick Bodmer, goza de sua boa fortuna, mesmo que Patrick aponte a sorte como uma pequena figurante em seu sucesso: "bom, claro que você não pode comprar as conexões certas, então de certa forma você pode dizer que foi sorte, mas você não pode deixar de lembrar que nós fazemos nosso futuro", diz ele.

"Nós estávamos fazendo muitas produções com nomes diferentes, tocando em nossas próprias festas antes do M.A.N.D.Y, desde 1991. Nós tivemos Ricardo Villalobos em uma dessas festas, e Ata da Playhouse também", lembra. "Então em 1994 Reiko Isolee começou a ir nas festas. Ele não estava produzindo na época e ficou atrás da gente em uma festa, perguntando "que é essa música que vocês estão tocando? eu quero fazer esse tipo de música, é ótima". Então ele começou a produzir, e o irmão dele estava estudando comigo na universidade na época e ficamos com essa conexão. Se você é muito apaixonado pelo que faz e trabalha nisso, então tenho certeza que uma hora, de todos os negócios em que você se envolver, um vai ser bem-sucedido".

Juntando com DJ T (do club de Frankfurt Monza) e Arno e Walter (do Booka Shade) os amigos formaram o selo alemão Get Physical no começo desta década, mudando para Berlim em 2002, sendo pioneiros da onda minimal-tech-house que revitalizou a cena club global. Em 2005, seu nome estava explodindo quando o Booka Shade co-produziu a track "Body Language", que se tornou um hino de Ibiza e foi licenciada para mais de 100 compilações.

Quatro anos depois o par continua no topo, sendo recentemente recrutados pela Renaissance para assinar o mais recente mixado CD do grupo, pouco depois de ter sido headliner de duas gigs na Pacha Ibiza, na noite da Subliminal de Erick Morillo.

Patrick Bodmer vem ao Brasil para um M.A.N.D.Y. DJ set como atração da festa especial de 13 anos da XXXperience, no próximo dia 14/11.

Eu associo a Reinassance, certo ou errado, com Rocher Sanchez, Satoshi Tomiie e house anos 90, não com o M.A.N.D.Y. Como isso aconteceu?
Patrick: Foi exatamente por isso que eles nos procuraram, eles queriam entrar em outros estilos de música. Eles gostaram do nosso CD mais antigo e pensaram que poderiam ter uma chance conosco. Foram super entusiasmados quando nos procuraram, foram legais e nós nos sentimos felizes por ver que eles entenderam o que estávamos fazendo. Nós tivemos controle artístico total em todo o projeto e não houve a necessidade de transformar o CD em algo diferente do que queríamos. Além disso, eles têm uma atitude completamente profissional em relação ao trabalho, algo que nós amamos.

Quatro ou cinco anos atrás houve uma onda de CDs mixados sendo lançados toda a semana, agora vemos apenas um punhado por mês...
Phillip: Eles não vendem mais, esse é o problema. Nossa compilação Body Language ainda está indo OK, acho que compilações como a Global Underground e Coccoon ainda estão indo bem, mas não vejo outras. Se você não vende pelo menos 1500 cópias de cada CD, então não vale a pena, e as vendas caíram demais. Esse é o principal problema hoje. Você tem que pagar pelas faixas que vai usar, tem que pagar os artistas e o selo e pouco acontece depois disso.

Levando em conta tudo isso: porque a Reinassance está fazendo exatamente isso com vocês agora?
Phillip: Eles fizeram isso antes, umas três ou quatro CDs mixados com os DJs de sempre, mas se eles quiserem continuar lançamento compilações, eles sabem que precisam de sangue novo - não que nós sejamos assim tão fresquinhos (risos). Eu diria que nós somos "sangue novo" em termos de música. Como um negócio, você sempre alcança momentos em que precisa abrir para novas direções e eu acho que é isso que a Renaissance está fazendo conosco, planejando para o futuro.

Além de ser M.A.N.D.Y. vocês também são co-proprietários da Get Physical. Considerando o colapso atual da indústria musical, como vocês vêem o selo em cinco anos?
Patrick: Os tempos estão mudando, definitivamente, mas nós estamos trabalhando muito duro no selo e esperamos estar por aqui em cinco anos. Nós temos que mudar muitas coisas, não é mais suficiente apenas lançar boas faixas de dance music, não existe mais venda de vinil e você faz pouco dinheiro vendendo no Beatport e outros portais de download. Então é preciso seguir divulgando e desenvolvendo os artistas, com álbuns. Você tem que construir artistas, criar um catálogo, vender música do passado, tudo isso apenas para poder pagar as pessoas que trabalham para o selo. Você precisa ter gente trabalhando com imprensa e marketing. Não é mais apenas sobre dance music, o que é bom para nós porque nunca estivemos interessados em apenas lançar 12'' e ferramentas para DJs. Estamos procurando mais um formato de cantor/compositor que faça música interessante para todas as direções. E se você conseguir colocar uma faixa em um video game, então talvez você ganhe dinheiro suficiente para pagar seu staff por um ano. É preciso espalhar.

É rotina para vocês viajarem pelo mundo como DJs e estrelas, tenho certeza que poderiam seguir fazendo isso sem o selo: porque continuar?
Patrick: Atualmente nós poderíamos fazer isso sim, mas no começo era diferente, o selo ajudava muito. Nós vemos que em todo o artigo que escrevem sobre nós e nos flyers onde aparecemos, o nome M.A.N.D.Y. vem sempre junto com uma menção Get Physical. Hoje nós não precisaríamos do selo se considerarmos as gigs como DJs, mas nós seguimos com ele por prazer e por diversão. Nós nunca tiramos nenhum dinheiro da companhia para nossos bolsos, é e sempre será um hobby.
Mas no momento você também tem que ser cuidadoso e não perder dinheiro. A outra coisa que é super importante é ter esse modelo de negócios com 360 graus em que as outras companhias estão operando: você cuida dos bookings, do merchandising, dos direitos de publicação, etc. É difícil abordar os artistas assim, mas apenas com a música você não faz dinheiro suficiente, então precisamos desses extras como uma companhia. Claro que devemos algo para os artistas de volta, mas esse é o jeito de sobreviver atualmente.

Então se você achar um ótimo disco agora você vai dizer para o produtor: 'eu quero lançar seu disco, mas você também vai ter que me deixar cuidar dos seus bookings como DJ'?
Phillip: Você não pode forçar ninguém a nada e claro que deve existir muita confiança envolvida, mas nesses dias você não fará nenhum dinheiro somente lançando um 12''. Deve ter estratégia: um follow up, quem sabe um álbum, uma idéia, um conceito.

São milhares de faixas lançadas a cada semana, como isso mudou a forma de identificar um novo talento?
Patrick: Nós recebemos cerca de 800 faixas digitais promocionais por semana, e claro que é música demais para alguém escutar, do ponto-de-vista de um label ou de um DJ. E muitas delas são apenas direcionadas para a pista, com a mesma idéia. Nós voltamos para a idéia original de uma gravadora onde confiamos nas pessoas como personagens. Nós gostamos da idéia de produtores sendo artistas, onde uma pessoa é viciada no que está fazendo e está fazendo pela música e não apenas pela chance de estar na capa de uma revista e ganhar fama no youtube. Nós seguimos a estrada mais longa, desenvolvendo um trabalho artístico aos poucos. Mas isso não significa que não ligamos para artistas novos e totalmente desconhecidos, nós ainda precisamos circular com olhos e ouvidos bem abertos. O trabalho mesmo está em descobrir as coisas boas.

Discotecagem e performance hoje requerem mais e mais técnica e concentração do que, digamos, há 10 anos. Quão sóbrios vocês estão quando estão tocando?
Phillip: Nós tentamos estar sóbrios no começo da noite. Uma coisa boa é que somos uma dupla então podemos contar um com o outro para lembrar de estar focado e concentrado, especialmente para gigs importantes. Nós podemos beber uma cerveja ou duas, mas nada mais que isso. Em geral, chegamos no club bastante centrados e depois relaxamos um pouco se tudo correr bem. Já tivemos muitas experiências de estarmos estragados na cabine, quando você está tocando para si mesmo e achando que é um uma mega-estrela. É um processo que aprendemos ao longo dos anos. Acho que no geral amadurecemos bastante.

A vida noturna é cheia de personagens obscuros, às vezes estranhos, à vezes criminosos. Vocês já tiveram em alguma situação assustadora, com gangsters por exemplo?
Phillip: Nós falamos recentemente sobre isso: tocamos algumas vezes em Juarez, que é considerada a cidade mais perigosa do mundo, no México. Nós soubemos que o cara que faz as festas teve que fechar por um tempo por ter tudo problemas com a máfia local...
Patrick: Nós já estivemos em algumas situações onde o promoter contava com guarda-costas para nós, como na Venezuela e no México. Mas temos sorte, no geral, e nunca estivemos em perigo realmente. Claro que você também deve receber bons conselhos do que fazer e não fazer. Em São Paulo, por exemplo, nós estávamos tocando no Skol Beats e recebemos sugestões de festas para depois do festival. E nos deram dicas muito específicas do que fazer e não fazer. Mas então eu entrei em contato com o MC Dynamite, um inglês que vive lá, e ele me levou para uma festa em uma favela. Havia muita gente com armas no local e eu era basicamente a única pessoa branca no ambiente - no começo você fica com receio, mas conforme você se relaciona com as pessoas, está tudo bem. Nós troávamos apertos de mão, e dançávamos juntos e eu experimentei o mesmo tipo de sentimento de ecstasy e fraternidade daquele verão de 1991, sabe? Nós sempre temos muita sorte...

Vocês tocaram na Pacha Ibiza essa temporada, duas vezes. O quando é necessário ajustar o seu set para uma ocasião como essa? Ou vocês levam o set 'normal' do M.A.N.D.Y.?
Phillip: Sempre que tocamos para um público novo, você tem que olhar para o DJ que é headliner ou que está oferecendo o show - nesse caso é o Erick Morillo, então nós tentamos tocar com uma energia mais house. Se alguém faz um convite, você tem que respeita-lo, e o Erick sempre foi muito legal conosco. Nós estaríamos sendo grosseiros se chegássemos tocando um set super minimalista, forçando o público dele a ir sair da pista. Nós queríamos fazer um ótimo set e foi um pouco um desafio, uma vez que o público está lá por causa do Erick. Mas foi tudo bem, foi bom.
Patrick: Foi um desafio, e se você é DJ a 13 anos, então é até um prazer ter um público diferente e poder tocar uma música diferente do que tocaria em um after-hours em Berlim. Nós estávamos fazendo discos de trance no começo dos anos 90 e tocando jungle e techno pesado nas nossas próprias festas depois disso, então nós somos pessoas que tem prazer em tocar discos diferentes. O que ainda importa é como você combina e apresenta sua música.

Fonte: rraurl.com

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domingo, 18 de outubro de 2009

Entrevista D-Ramirez

Ramirez já emplacou mais de 20 hits, que alcançaram diversos países. Produtor de electro-house, foi premiado em 2007 como “Melhor Remix” e “Melhor Produtor” pela DJ MAG e no ano anterior como “DJ do Ano” pela iDJ. No Brasil ficou conhecido em 2007 no Skol Beats, balançando a pista com seus remixes para Roger Sanchez ("Lost"), Plump DJs ("Electric Disco") e Bodyrox ("Yeah Yeah"). Nos últimos meses lançou singles em parceria com Underworld, Matt Tolfrey, Mark Knight e Robert Owens.

Olá Leon, em seu myspace vimos que está seguindo a turnê da MIXMAG. A edição especial da XXXPERIENCE está com uma parceria com a revista no palco Portal das Luzes. A revista acaba de ser lançada aqui no Brasil. Em sua opinião o que esta revista representa em seu país e no mundo, e qual o segredo para se lançar uma nova revista num país e adquirir o sucesso?
A Mixmag é uma das mais antigas publicações de música eletrônica na Inglaterra e é muito importante por aqui, não só aqui, mas no mundo todo. Muitos se baseiam na Inglaterra para saber o que está rolando na dance music e a Mixmag é um dos maiores referenciais. Ser parte da turnê da revista é uma honra para mim e estou muito orgulhoso de ser um dos residentes da tour, é fato que muitos ao redor do mundo lêem a revista e eles vêem que D-Ramirez é um dos DJs promovidos por ela numa escala mundial. Lançar a Mixmag no Brasil é a prova de que o país tem um grande potencial na cena eletrônica.

Você tocou no Brasil a primeira vez no Skol Beats, como foi? Alguma recordação em especial?
O Skol Beats foi incrível e foi minha primeira experiência no caloroso e enérgico Brasil. Havia 20000 pessoas e foi um grande início em terras brasileiras para mim.

A XXXPERIENCE está neutralizando o carbono de toda turnê 2009 e para a edição especial todo material impresso está sendo produzido com papel reciclável e há ainda uma parceria com o instituto Rede em Ação para coletar alimentos não perecíveis. Você já se apresentou em algum evento por uma causa social? Sem cachê? Você colabora de alguma forma para algum projeto social?
Tenho participado de alguns eventos de caridade na Inglaterra dando apoio a várias causas e também sou parte de uma equipe de apoio ao tratamento da AIDS na África, é sempre bom ajudar quando podemos.

Existe algum projeto social no mercado de entretenimento em seu país que você acha válido citar?
Existe um projeto na Inglaterra sobre os riscos dos altos volumes de som nos clubs e os prejuízos para a saúde. O projeto promove o uso dos protetores nos ouvidos e eu dou apoio a este projeto também.

Você é o rei dos hits, você conquistou 20 top hits que foram tocados no mundo todo. Qual a sensação de ter suas produções tocadas pelo mundo?
É pelo fato de minhas músicas terem sido tocadas no mundo todo que pude tocar em países incríveis como o Brasil, e por isso me sinto muito orgulhoso.

O verão na Europa e EUA é famoso pelas festas de música eletrônica, onde tocou que mais gostou?  
Passei um mês em Los Angeles e de lá fiz uma tour pelos EUA, toquei em clubs como Giant @ Vanguard em LA, The Crobar em Chicago, This is London em Toronto – também vim para o Brasil tocar na Tribaltech em Curitiba a qual foi emocionante! Meu club favorito é o Sankeys em Manchester - UK, é um club underground com uma galera bem bacana.

Atualmente o que anda tocando mais? House, Electro ou Techno? E suas influências?
Não toco mais electro, apesar de ser influenciado pelos sons techno, também venho sendo influenciado por um house mais pra cima. Vejam no meu myspace o single com Matt Tolfrey chamado “Bounce To Me”.

Quais as novidades de D-Ramirez para a XXXPERIENCE?
Estou muito ansioso com minha viagem para o Brasil em novembro, não posso esperar para ver meus amigos e me apresentar na XXXPERIENCE.

mais: www.myspace.com/dramirezmusic

Por Bruna Armani – Grupo No Limits

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

(entrevista) Ellen Allien

A berlinense Ellen Allien teve seus primeiros contatos com a música eletrônica em Londres em 1988. Trabalhou como apresentadora de rádio, produtora, gerente de eventos, até fundar seu próprio selo BPitch Control, há mais de 10 anos. Já lançou 4 álbuns e rodou o mundo, foi residente do Tresor em Berlim e já trabalhou com muita gente famosa como Miss Kittin e DJ Hell. Além de seu selo, Ellen possui a grife “Ellen Allien Fashion” e atualmente é uma das figuras mais importantes da música eletrônica.

Confira a entrevista fresquinha com a Rainha do Techno, alemã, Ellen Allien, certamente uma das atrações mais aguardadas da XXXPerience 13 anos.

Olá Ellen, não sei se sabe, a XXXPERIENCE está neutralizando o carbono de toda turnê 2009 e para a edição especial todo material impresso está sendo produzido com papel reciclável e há ainda uma parceria com o instituto Rede em Ação para coletar alimentos não perecíveis. Você já se apresentou em algum evento por uma causa social? Sem cachê? Você colabora de alguma forma para algum projeto social?
Meu projeto social é meu selo musical.

Quais suas expectativas quanto a sua linha de roupas “Ellen Allien Fashion”?
“Ellen Allien Fashion” é o meu hobby, não é minha principal ocupação, a qual obviamente é a música. Eu visto as roupas que eu mesma desenho, elas têm exatamente o estilo que gosto de vestir. Se eu puder dividir este estilo com outras pessoas ficarei feliz. No entanto, o propósito da marca “Ellen Allien Fashion” não é estar nos maiores canais de distribuição, e sim estar nos canais certos, onde pessoas que realmente apreciam meu estilo possam encontrar minhas peças. As linhas de roupa que eu lanço são também limitadas.

Você pretende, no futuro, fazer desfiles de sua marca em grandes eventos como Nova York Fashion Week e também ter suas lojas próprias?
Não, não pretendo não. Como acabei de dizer, “Ellen Allien Fashion“ é o meu hobby e quero que continue assim. Quero continuar com as edições limitadas que tenho até agora.

E sobre o próximo álbum, você já tem 4 CDs, quando lançará o próximo?
Atualmente estou trabalhando muito em cima deste projeto, estou alinhando o conceito do álbum, e devo começar a gravar os primeiros instrumentos e escrever as composições em poucos dias. Estou ansiosa por isso. Estou trabalhando muito também para meu selo BPitch Control, pois estamos assinando com outros artistas e tenho que escutar muitas músicas para selecionar os produtores.

Algum projeto em andamento?
Existem alguns bons projetos em curso: o novo remix de Ellen Allien para Uffie/Feadz “Pop the Clock“ (Edbanger records) que sai em breve. No fim do ano um novo (DJ mix) de um dos meus clubs favoritos de Berlim, o “Watergate“, em breve também. Além do CD mix “Best of BPitch Control“ por Ellen Allien que sairá pela gravadora Beams (Japão). Também farei um novo remix da track “Moderat”.

Como seu selo Bpitch Control enfrenta a era digital?
Eu sou fã da música digital. Agradeço a era digital, pois os custos de produção enxugaram. Menos trash music tem sido produzidas, e isto obviamente é muito bom.

Quais artistas você tem trabalhado em parceria?
No momento não estou com nenhuma parceria.

Atualmente, quais instrumentos você utiliza em suas performances?
O CD Player e mesa de efeitos.

Você já foi produtora de eventos, hoje em dia você participa da produção de eventos?
Neste ano completamos 10 anos de BPitch Control, estamos organizando muitas Label Parties (festas da gravadora): em agosto no Berghain club, uma festa do Sónar Festival no Nitsa club e no Sasula Festival aqui mesmo em Berlim.

Quais os estilos de e-music dos europeus?
Os europeus são amantes do techno. Em alguns países as pessoas tendem para o minimal, outros gostam das percussões e vocais, todo país tem suas peculiaridades e diferenças. E na Alemanha as pessoas gostam de se divertir muito, e dançar durante horas.

E sobre a cena brasileira, que artistas você conhece por aqui?
Eu amo a música brasileira clássica como: João Gilberto, Antônio Carlos Jobim e Gilberto Gil.

Será sua primeira vez na XXXPERIENCE, o que está preparando para o festival?
Já toquei em alguns eventos no Brasil. Para um festival é sempre bom fazer uma boa mistura de estilos.

Mais: www.myspace.com/ellenallien

Por: Bruna Armani – Grupo No Limits

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Entrevista Rica Amaral e Feio

A dupla que comemora os 13 anos de seu filho primogênito “XXXPerience”, fala sobre a edição especial da festa.

Olá DJs, para começar num clima mais descontraído, vamos falar de seus filhos, a Malu, o Lou Jai e a XXXPERIENCE. A festa já tem quase 13 anos e as crianças nasceram quase juntas em 2005. O que dá mais trabalho, o filho de 4 anos ou o de 13?
Temos como princípio básico de educação a honestidade e o respeito. Transmitimos isso sempre aos nossos filhos. A Malu e Lou Jai por estarem com 4 anos, não dão muito trabalho, estão na fase de descobertas e querem fazer tudo sozinhos, já não usam mais fraldas, se alimentam sozinhos, brincam sozinhos... Já a XXXPERIENCE dá mais trabalho, pois está na adolescência, é a fase de maturidade e de fixação de valores que o evento possui desde suas raízes.

Este ano WOODSTOCK comemorou 40 anos e os noticiários disseram que os festivais de música vivem um novo “boom”. Esse auge todo significa que vocês podem se sentir seguros quanto ao sucesso de suas festas?
No início das festas, quando fazíamos a XXXPERIENCE sozinhos, sempre enfatizávamos o respeito ao nosso público. Antes das festas, íamos à Rua 25 de Março comprar brindes para presentear as pessoas, no Ceasa comprar frutas, comprávamos suco de laranja, iogurte, entre outras iguarias que dávamos de mão em mão para o nosso público na festa pela manhã. A XXXPERIENCE não seria nada se não tivéssemos esse público, e em respeito a eles é que pensávamos: “vamos comprar umas frutas para que eles se sintam bem, como se estivessem em suas casas”. Sempre tentamos passar isso ao público, somos do tempo que o “fio do bigode” falava bem mais alto do que qualquer outra coisa. Portanto, por tudo isso que mostramos nesses anos todos, é que eu sei que as pessoas acreditam na nossa festa, e que ela será sempre um sucesso, pois estamos sempre pensando neles em primeiro plano.

Quais as principais diferenças entre os públicos da XXXPERIENCE de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Paraná?
Começando com a Bahia, essa festa particularmente traz praticamente gente de todo o país, inclusive baianos que provam que só de carnaval e axé o baiano não vive! Eles também precisam um pouco de e-music e a XXXPERIENCE está lá para isso. No Paraná eles são mais exigentes quanto às atrações, independentemente de estarem na mídia ou não. Já no Rio de Janeiro, o povo é festivo por natureza, praiano, e estão lá para curtir, eles acreditam em nosso bom gosto musical na formação do line-up. Minas Gerais também é exigente, pois são acostumados com os festivais realizados por lá durante o ano, além de vários clubs com DJs que vão do comercial ao underground, é um povo muito fashion pela própria essência e sabem o que querem. Finalizando por São Paulo, aqui é a nossa Nova York brasileira, temos de tudo um pouco, daí o fato de a edição especial ser aqui, pois além dos paulistas, todos os outros estados brasileiros mandam seus representantes, até porque muitos deles têm seus familiares por aqui e aproveitam a festa para as tradicionais visitas familiares ou para encontrar amigos de outras cidades. Mas no geral todas as cidades apresentam um público de grande vibe e sempre somos super bem recebidos por todos, sem distinção alguma entre esses estados.

Que atrações da edição especial que vocês estão doidos para assistir?
Nós dois indicamos DICK TREVOR [DICKSTER] um mago da psychedelic music, inclusive pelo tempo que ele atua na música eletrônica – seu primeiro projeto psy mais conhecido do público foi o GREEN NUNS OF THE REVOLUTION. Depois tem o grande AZAX SYNDROM, que todo mundo diz que é dark, mas vale a pena conferir, pois é um som único e não tão dark assim. Por fim o LOUD, que vem pela 1ª vez ao Brasil e que também possui um som único e inigualável, suas músicas viajam por todas as tendências da e-music e com um mix de extremo bom gosto.

Em termos de estrutura, qual patamar vocês almejam chegar? O que vocês sonham ter em seus eventos num futuro próximo?
Para o futuro, a grande tendência será continuarmos nesse mesmo estilo, com apenas duas ou três festas fora de São Paulo e a edição especial mostrando como é um festival de música eletrônica, com vários gêneros musicais, em várias tendas, deixando aquela imagem de “rave” no passado, nunca esquecida, pois foi a nossa base, mas um pouco mais com cara de festival de música eletrônica.

Citem alguns nomes importantes que fizeram parte do crescimento da marca XXXPERIENCE nestes 13 anos.
Primeiramente o público sem dúvida nenhuma, pois sem eles nada disso estaria acontecendo. Quanto aos artistas, acho que sem dúvida, dos internacionais, o SKAZI, seguido do ESKIMO, eles realmente agregaram muito ao já conceituado nome da festa, foi realmente uma troca, pois nós acreditamos neles e eles em nós. Entre os brasileiros, acreditamos que nossa imagem no exterior, onde já participamos de muitas gigs, contribuiu para expandir a marca internacionalmente.  Logicamente não podemos omitir a No Limits que produziu todas as XXXPERIENCEs nesses anos, e dos nossos parceiros em cada estado, peças fundamentais para o crescimento da festa.

De festa open air a festival. Como vocês, que ainda respiram tão fortemente o trance, encaram esta evolução, que trouxe outros gêneros até então inimagináveis numa XXX? Essa política será aplicada em toda a turnê 2010?
Essa implantação desses sons (referida como “evolução”) nada mais é do que músicas da cena eletrônica que já existem há anos. E para o público mais jovem, essa música é considerada “nova”. Para nós, que vivemos e respiramos isso há mais de 13 anos, já vimos esse “up and down” anteriormente, mas o público novo, que não pôde acompanhar a evolução da XXXPERIENCE nesses anos todos, não sabe que a nossa primeira festa era igualmente (a proposta, não a grandeza) a essa atual. Engana-se quem acha que a XXXPERIENCE sempre foi psytrance. Ao contrário, éramos muito democráticos nesse sentido. Muitos DJs participaram com a gente dessa batalha e evolução desde o começo, para chegar onde ainda estamos tentando chegar hoje em dia, como: Mau Mau, Marky (antes Marky Mark), Pil Marques, Anderson Noise, Camilo Rocha, Angelo Leuzi, André Pulse, Dimitri (Avonts), Renato Lopes, Alex S e mais uma lista de nomes enorme, que não caberia aqui. Mas acredito sim que, para 2010, essa mescla vai continuar, pois desde a primeira XXXPERIENCE em 1996 já havia esse formato.

Para os fãs, o que vocês gostariam de dizer sobre a festa de novembro?
Divirtam-se respeitando os outros e a si mesmos, pois a gente nunca sabe o dia de amanhã. RESPECT!

Por Bruna Armani – Grupo No Limits

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Entrevista com Claudia Bukowski do Copacabana Club

Conversei com a baterista do Copacabana Club, Claudia Bukowski ou apenas Claudinha como é conhecida no cenário musical. A banda curitibana que atraiu a atenção da mídia nacional, como a MTV, após o lançamento do clip “Just do It” foi um dos destaques do Tribal Tech MultiCulti Festival que aconteceu no final de agosto na capital paranaense.

Claudinha disponibiliza alguns minutos de seu momento de “folga”, algo cada vem mais raro na vida da baterista que concilia os shows da banda com a sua pós em São Paulo, para responder algumas perguntas e contar um pouco mais da historia do “Copas”

A idéia de montar o grupo surgiu e foi concretizada em uma noite no James, certo? Contem um pouco de como o Copas nasceu.
O Copacabana surgiu mesmo no James, em uma noite que o Alec convidou o Luli pra montar a banda. Eu estava discotecando no andar térreo do bar e o Lulòi foi me convidar pra ser baterista porque ja tinhamos tocado juntos em outra banda, o Autobahn. A Caca estava por perto e apulou na conversa, pediu pra entrar na banda pra fazer "alguma coisa, depois a gente decide" hahahahahaha. E algum tempo depois chamamos o Tile pra assumir o baixo. A ultima novidade na formação do Copa é nosso novo guitarrista, Rafa Martins, que entrou no lugar do Luli.

No dia 09/07/2009 Ewandro Schenkel definiu o som do Copas em seu blog, “Sobre Nada”, da seguinte maneira: “É o tipo de trilha sonora para embalar os adolescentes que gostam de usar chapéus e pegar amiguinhos do mesmo sexo”. O que acham da posição do blogueiro e como vocês definiriam o som do Copas, para aqueles que não conhecem?
Eu sou fã incondicional do Radiohead e acredito que eles sejam a banda mais genial de todos os tempos. Ainda assim, eu tive inúmeras conversas com amigos que não gostam do som deles e não entendem o que eu acho de tão incrível na banda. Ou seja: se nem a banda mais genial do universo é unanimidade, é um absurdo achar que qualquer banda pode vir a agradar a todos e seria uma petulância sem tamanho o Copacabana Club pensar dessa maneira. Isso nunca passou pela nossa cabeça e é por esse motivo aceitamos bem críticas positivas e negativas. Todo mundo tem direito a dar sua opinião e pode gostar ou não gostar das nossas músicas. Por outro lado, também acho que críticas bem feitas e bem argumentadas, sejam falando bem ou falando mal,  tem mais chance de surtir algum efeito e fazer com que a sua opinião seja compreendida e respeitada. Eu não sei se os fãs do Copacabana Club usam chapéu ou se gostam de meninos ou meninas. Honestamente isso não me importa e não me parece dizer muito sobre o som da banda. Acho que a melhor definição sobre nossas músicas surgiu em duas resenhas que tivemos logo nos primeiros shows, mas nunca consigo me lembrar quais foram os sites: definiram o som do Copacabana Club como "indie-festa", "indie-carnaval".

“Just do It” já é um hit, qual a sensação de ver um dos primeiros trabalhos estourando em rádios e principalmente em um dos principais canais de música: MTV
Pra mim foi impressionante. Nunca tivemos o comprometimento de fazer músicas que fizessem sucesso ou que dessem certo, nós queriamos nos divertir. O Copacabana é a primeira banda da Caca, mas eu, Luli, Tile e Alec ja tivemos banda antes. E sabemos que as bandas 99% das vezes não vão além do que noites divertidas e uma meia dúzia de amigos que realmente gostam do seu som, por isso não tínhamos pretensão nenhuma que o Copacabana Club fosse diferente disso. Mas desde os primeiros ensaios era nitido que nós nos divertiamos mais do que o normal e que tinha uma química entre a gente que funcionava muito bem. Acho que demos sorte: isso se repetiu nas apresentações ao vivo e conquistamos um espaço maior do que esperávamos.

Recentemente vocês participaram de uma festa em SP onde assumiram as pick-ups. Gostam de música eletrônica? O que ouvem?
Gosto de música eletronica mas entendo muito pouco. A algum tempo já minha discotecagem tem sido "menos rock" do que era há alguns anos atrás, mas acho difícil que os fãs de música eletronica de verdade considerem meu som eletrônico. Gosto de The Knife, Justice, Air... e por aí vai.

Qual a sensação de tocar em um festival como o Tribaltech?
Foi bem bacana. Fiquei surpresa com o tamanho e a organizaçao do festival. Desde o primeiro contato, até o site, o livrinho com todas as informaçoes (como chegar, onde ficar, o que fazer em curitiba), acho que poucos eventos na cidade são feitos com tanta preocupaçao. Achei otima a iniciativa da festa de abrir espaço para bandas. É muito bom tocar com uma infraestrutura assim.

Muitas pessoas criticaram a idéia de unir vários estilos em uma festa que antes era voltada apenas para a música eletrônica. Como vocês vêm essa mudança?
Eu sou mais ligada a cena rock de curitiba, por isso ja tinha ouvido falar da Tribaltech mas ainda não tinha ido em nenhuma edição anterior.  Eu acho esse preconceito de misturar estilos bobagem, ainda mais num festival desse tamanho. A Tribaltech parece estar antenada e seguindo modelos de festivais maiores que acontecem la fora. O Glastonbury, o maior festival inglês que é nitidamente voltado para o rock há anos tem uma tenda mais eletronica. O mesmo acontece no Carling Weekend (Leeds e Reading), no T in The Parl, no V Festival. O Benicassim, o mais importante festival da Espanha, a cada edição parece mais e mais ligado com a cena eletronica, mas sem deixar de lado a veia rockeira dos primeiros anos de festival. Acho que tem espaço pra todos.

Muitos grupos sentem dificuldades em estar fora do eixo Rio-São Paulo, essas dificuldades (preconceito) realmente existem?
A dificuldade existe, mas em defesa do pessoal que organiza shows e festivais não acho que seja preconceito não. Simplesmente é difícil viabilizar isso financeiramente. Pela procura que temos no email do Copa e elogios de pessoas do país inteiro, eu tenho praticamente certeza que toda capital do Brasil, de Porto Alegre a Belém, tem um cenário de rock alternativo e que seria incrível tocar nesses lugares. Mas o tamanho dessa cena, apesar de suficiente pra fazer um show incrível, pode ser pequena para você viabilizar trazer uma banda de um lugar mais distante.

Assim como o Copacabana existem, em Curitiba, vários grupos independentes. Existe algum em particular que vocês gostam?
Vários! Eu fiquei impressionada com um show do Rosie & Me que vi alguns meses atrás, acho eles muito bons. Também gosto do Ruído/mm.

Alguns artistas aderiram a internet para divulgar seus trabalhos e como resultado acabaram indo parar na grande mídia, temos como exemplo o caso da Malu Magalhães. Vocês também são adeptos ao Orkut, twitter, myspace, como essa tecnologia ajuda o trabalho do Copas? Atualmente a Caca cuida de 6 perfis e se aparecer algum site novo provavelmente estaremos entre os 10 primeiros a se cadastrarem, hahahaha. Acho que a internet ajuda muito na divulgação. Teria sido muito dificil ter essa repercussão sem o auxílio do MySpace, YouTube e sites como Orkut e Twitter pra divulgar a banda.

Vocês já fizeram shows em São Paulo, Curitiba, Santa Catarina, qual a apresentação que mais marcou até agora.
As apresentações de Florianópolis são sempre muito animadas. Apesar de algumas dificuldades técnicas, nossos últimos shows no interior de São Paulo, em Ribeirão Preto e Campinas também foram muito bons. E tocar aqui em Curitiba sempre é ótimo... temos um público muito incrível por aqui.

Como são os “Copas” longe dos palcos, o que fazem, ouvem, onde vão?
Eu sou DJ, arquiteta e baterista (não obrigatoriamente nessa ordem). Geralmente aqui em Curitiba vou ao James e ao Wonka, mesmo quando não estou trabalhando. Em casa as vezes fico meio cansada de escutar as "músicas pra pista" que toco a noite e acabo sempre caindo nos mesmos CDs: Spoon, Wilco, Okkervil River. Gosto de ir ao cinema, mas faz tempo que não vou. Eu ando meio dividida entre Curitiba e São Paulo por causa do mestrado. Em São Paulo gosto de ir  no Sonique, Gloria, Squat.

Quais as influências musicais de cada um:
Eu gosto de Radiohead, Jesus & Mary Chain, Interpol. Como sou DJ, sempre estou atras de novidades e me apaixonei pelo ultimo CD do Phoenix, Passion Pit, Two Door Cinema Club e Little Comets. A Caca também escuta muita coisa nova. O Tile é o roqueiro da banda, fã incondicional de Stones e está inacreditavelmente feliz com a notícia que estamos confirmados pro Festival Planeta Terra ao lado do Primal Scream, sua banda do coração. O Alec gosta de muita coisa, de bossa nova a novidades, passando por Steve Wonder, Stereolab e Sondre Lerche. O Rafa divide comigo o gosto por Interpol e também é gosta muito de Television e Gang of Four. Acho que ele tem tudo pra trazer influencias geniais pra banda porque ele também gosta de coisas legais de música brasileira, como Jorge Ben na fase mais bacana e Felini.

Com certeza nesse início de carreira já passaram por várias dificuldades. Existe uma em que hoje, quando se lembram vocês dão risadas?
A gente fez um show histórico em Santa Maria, no festival Macondo. A Andy Andrade, produtora aqui de Curitiba da ex-Maamute me ligou e disse: "Eu tenho um show pra 4 bandas de Curitiba, bate-e-volta, sem hospedagem nem cache, que a gente só consegue pagar os custos do micro-onibus. Vocês topam?". Topamos na hora. A viagem era de 16 horas, num onibus completamente lotado e cheio de amps de guitarra no corredor. Mas o show foi lindo e todas as bandas se divertiram. Foi o primeiro mosh do Alec. E claro que não tinha ninguém na platéia disposto a segura-lo...

Os fãs podem esperar alguma novidade em breve, um CD, DVD?
Podem sim, só nao temos data definida. Nosso ep King of the Night foi lançado de forma 100% independente e o single Just Do It foi feito com a patrocínio da Levi's. Temos um repertório de aproximadamente 15 músicas no show, mais do que suficiente pra um álbum completo. Mas ainda estamos tentando descobrir como viabilizar isso financeiramente.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

(entrevista) Marc Romboy

Um dos destaques do Tribaltech Multicult Festival abre o jogo no site rraurl

Marc Romboy respondeu nossas perguntas com bastante entusiasmo. Decisivo e brincalhão, não deixa todo a correria de suas carreiras (homem de família, produtor, homem de negócios, DJ) abalar seu bom-humor ou esgotar o amor pelo o que faz. Ao contrário: Romboy é um apaixonado e procura sempre que possível falar da "alma" da música.

Sua carreira já acumula mais de15 anos e seu selo Systematic Recordings acabou de ver o quinto aniversário. As comemorações são globais e contam com mix especial por Oxia em um promo do recente lançamento de um box de comemoração desses 5 anos, o 5YSYST (5 Years Of Systematic Recordings). O álbum foi produzido de maneira grandiosa, com inúmeros artistas, entre amigos e produtores, colaborando com uma faixa inédita cada.

Aproveitamos sua vinda para o Brasil para um bate-papo. Bastante brincalhão o produtor alemão aproveitou a oportunidade para contar segredinhos de bastidores (como uma colaboração com Gui Boratto) e soltar alguns dos futuros passos do selo.

Olhando para trás em sua discografia podemos ver que você tem lançado discos por mais de 10 anos. Quando foi que sua carreira começou? E que faixas te chamavam a atenção na época? Desde o início de sua carreira você pensou que algum dia você chegaria tão longe? Olhando para trás, há alguma coisa a qual você se arrependa ou que quis fazer?
Bem, eu lancei minha primeira faixa em 1992. Não sob a alcunha de Marc Romboy, mas de um projeto diferente, com meus amigos. Eu me interesso por música eletrônica desde os oito anos quando escutei "The Robots" do Kraftwerk pela primeira vez na vida. Desde então esse "tipo" de música mexe comigo. Estou muito cansado da música mainstream radiofônica e por vezes troco as estações (de rádio) por música clássica, algo que eu realmente gosto. Voltando as minhas influências, são muitas, começando pelo new wave e indo até o breakdance. De Chicago house ao techno house até pessoas como Carl Craig e Juan Atkins. E,acredite-me, eu não arrependo de nada. Essa é a minha vida!

Seu selo está comemorando 5 anos de existência com extensa compilação onde produtores convidados contribuiram cada um com uma faixa exclusiva. Como foi esse processo?
Não sei quem teve essa ideia absurda de lançar uma caixa com cinco discos e, sim, esse projeto foi uma loucura total, tomando 4 meses de trabalho duro. Normalmente tratamos com uma ou duas pessoas para lançar um disco, mas dessa vez tive que tratar com 32 artistas diferentes. Foi irreal. Sinceramente, foi o maior projeto que jamais fiz, e foi muito divertido. O feedback de grandes produtores como Stephan Bodzin, Jerome Sydenham, Technasia, Steve Rachmad e Mike Monday, só para nomear uns poucos, foi sensacional e emocionante para mim. Estou muito orgulhoso do selo até agora, tem me feito muito feliz e tem sido sempre uma boa base para o lançamento de minhas faixas e também das músicas de amigos meus.

Você vai tocar pela segunda vez no Brasil, e dessa vez o Systematic Recordings é considerado um dos mais influentes selos do planeta. Como você combina a carreira de DJ/produtor com a carreira de "dono de selo"?
Bem, isso é algo que frequentemente me pergunto e, para ser honesto, não sei a resposta. Minha percepção de "fazer negócio" mudou completamente no espaço de 3, 4 anos. Uma semana parece dois dias nesse momento e é muito difícil de administrar tudo: família, selo e gigs. Mas, eu tenho muitas pessoas a bordo que me apoiam o projeto, muitos profissionais que tomam conta dos negócios, como bookings, gerência do selo, meu programa no rádio, vinis, CDs, vendas online e por aí vai. Estou muito feliz de trabalhar com esse pessoal.

E o que podemos esperar de seu set dessa vez? Você vai tocar um DJ set como os das celebrações da Systematic ou vai ser algo como a sua compilação, "Systematic Colours Volume Two"?
Eu sempre procuro ler a linguagem corporal das pessoas para ter um aporte do que elas querem e como elas sentem, combinando essa impressão com os meus sentimento e clima. Então todos os meus sets são bastante diferentes. Eu amo tocar deep e groovy, embora eu ame as levadas dos spins e kicks, também. Mas, para mim, é essencial manter a alma no techno. Eu não gosto de techno frio e sem alma de maneira alguma, isso me irrita bastante. Essa é a razão pela qual estou sempre procurando por músicas com alma, não me importando como essa alma vai se expressar. Ela pode ser uma voz maravilhosa, ou um barulho, ou um efeito, ou uma melodia, não importa. Porém, isso é algo com o qual você poderá sempre contar comigo. É a essência do meu trabalho e de minha produtividade, produção.

Qual será o próximo passo em relação a produções e lançamentos seus e do selo? Que surpresas você está escondendo debaixo de sua manga? Você pode falar um pouco sobre isso?
Oh, temos muitas idéias esperando para serem realizadas! O próximo grande passo no Systematic será o álbum vindouro de meu amigo Robert Babicz, de Cologne. Nós já estamos preparando seu álbum, com singles e remixes, para lançar até o próximo verão e, acredite-me, está fantástico. Demonstra exatamente o que sinto nesses momento. É muito deep, cheio de aspectos musicais que te pegam e não deixam partir. É morno, agradável e uma nova dimensão de som para mim. Alem disso, estamos próximos de finalizar o primeiro app de iPhone do Systematic, com o qual você poderá preparar os seus próprios DJ mixes com músicas do Systematic e, claro, a produção de meu terceiro álbum começará em 6 meses.

Você terá algum tempo para gastar consigo nessa visita ao Brasil? Você quer ir a lugares além das cidades?
O que realmente me interessa são as pessoas do Brasil e da última vez que estive aí tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas calorosas e amigáveis. Uma experiência que realmente me impressionou. E, sim, dessa vez vou ficar por quase duas semanas, então, com certeza terei mais tempo para conhecer lugares e checar a cozinha brasileira (risos).

O que você costuma escutar quando não vai tocar? Tem algum recente artista/produtor que tem chamado a sua atenção?
Major Lazer, Portishead, Boards of Canada, Jimmy Hendrix, The Residents, Bauhaus e música clássica estão no meu iPod no momento e eu tenho reexplorado um CD mixado velho do Mathew Herbert no Tresor. É o que gosto esses dias. Contanto que não seja música gaga de rádio normal, eu sou bem mente aberta.

Como é produzir com alguns dos seus parceiros musicais?
A coisa mais engraçada nesse assunto é o fato de que a única colaboração artística dos últimos anos, que eu tenha ficado na mesma sala de estúdio, foi com o meu amigo, Stephan Bodzin. Todos os outros, como Blake Baxter, Chelonis R. Jones ou Gui Boratto fizeram suas criações em seus próprios estúdios e eu fiz a minha parte em casa, na Alemanha. Com a opção de novas mídias, como email e internet, é tão fácil colaborar com outras pessoas e fazer música juntos. Vou te contar um segredinho: quando minha colaboração com o Gui Boratto saiu, nós não nos conhecíamos cara a cara, só por email e telefonemas. Você acredita nisso? Isso funcionou porque eu sabia que estamos no mesmo tipo de frequência. Apenas poucas semanas depois do lançamento é que fomos, finalmente, nos encontrar em Amsterdã, passamos um bom tempo juntos e rimos bastante.

Quando você está produzindo uma faixa você sabe logo se ela "precisa" de um vocal? Você gosta de usar vocais nas suas faixas ou isso é como um exercício para você? E que tipo de música "aquece a sua alma"?
Há, agora você mencionou alma também! O que é alma? Eu me pergunto tempo todo. Bem, quando eu produzo uma faixa o impulso de incluir vocais me vem de repente e automaticamente. A combinação de máquinas sensacionais e um elemento natural, como a voz, é algo que me fascina sempre e sempre. Ah, droga, me desculpe, eu realmente não posso explicar isso. É muito difícil de expressar os meus sentimentos... Mas você certamente sabe o que quero dizer!

Por: Catarina Liarth - rraurl

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terça-feira, 18 de agosto de 2009

(entrevista) Gui Boratto

Um dos mais talentosos e hypados artistas brasileiros da atualidade, que lançou recentemente seu segundo álbum Take My Breath Away e que está se apresentando pelo mundo todo, literalmente... Na entrevista abaixo, Gui fala de todos os níveis de sua vida, desde a época de Chromophobia até o uso de sua faixa Besides em campanha publicitária da gigante Apple... Confira!

Qual é a grande diferença entre o Gui Boratto antes de Chromophobia e o Gui Boratto depois de Chromophobia?
Acho que todos nós vivemos em uma constante mudança. Eu principalmente, devido ao fato de estar vivenciando inúmeras e diferentes culturas desse mundo. Mas, acho também que, mesmo com todas essas mudanças, o Chromophobia e o Take My Breath Away são álbuns complementares. Não só muitas intenções, mas até mesmo a produção, foram muito semelhantes. Ambos foram produzidos na sala da minha casa, normalmente pela manhã, sem pressa ou qualquer outro tipo de pressão.

Jornais, revistas e sites do mundo todo estampam notícias com seu nome. A que você atribui esse seu sucesso mundial?
Acho que o fato de atingir um leque maior de audiência, deve-se talvez a minha música ter melodia. No techno, não é uma coisa muito comum. Normalmente, as produções desse gênero possuem como principal foco, texturas e ritmos, deixando a questão harmônica e melódica meio de lado. Na minha música acontece o oposto. Isso acaba me levando para caminhos mais "pop" da música eletrônica, abrangendo consequentemente um público maior.

Você acha que ainda há mais espaço para a música eletrônica se expandir pelo mundo? Ou o nível de maturidade já foi atingido?
Acho muito relativo a gente definir isso como música eletrônica. Afinal de contas, até as bandas de rock mais pesadas do momento se utilizam de aparatos tecnológicos e/ou eletrônicos de alguma forma. Acho que talvez a cultura techno, de raves, clubes, festivais, estão em muitos países, principalmente da Europa, realmente bem maduros, mas acho que a tendência é crescer ainda mais. Acho também que existe um tendência ainda maior na fusão de estilos, como a fusão do rock com electro, ou do techno com indie-pop.

Como foi idealizado e produzido Take My Breath Away? Que faixas você destaca neste novo trabalho?
Como já foi dito, foi um processo bem semelhante ao de Chromophobia. Bem, quanto as faixas de destaque, acho que No Turning Back e a faixa-título Take My Breath Away têm um apelo maior com o público, por serem extremamente melódicas. Mas eu tenho a minha preferida, que é a Besides, que inclusive foi licenciada recentemente para uma campanha publicitária da Apple.

As suas experiências anteriores como músico, arquiteto, publicitário, influenciam suas produções musicais atuais, ou são coisas que ficaram no passado?
Eu sempre vou carregar a bagagem do passado comigo. Tudo que aprendi como engenheiro de som, técnico de estúdio e músico me ajudam muito no dia a dia. Não só para programar, mas para também poder gravar instrumentos, compor, entre outras coisas.

Como tem sido suas apresentações nos festivais internacionais, como por exemplo o Coachella 2009? Como surgiu o convite para integrar o line-up de um dos maiores festivais de música do mundo?
Esse ano eu tive grandes oportunidades de me apresentar em festivais de peso, como Coachella, Montreux Jazz Festival ou Exit, na Sérvia. A resposta do público foi incrível, principalmente às músicas do meu novo álbum Take My Breath Away. Estou muito feliz e acho que no caminho certo.

Você já está confirmado também para as três últimas edições da XXXPERIENCE – Belo Horizonte, Búzios e Edição Especial 13 Anos, que será um grande festival. O que você acha da tendência de os eventos open air se tornarem grandes festivais, englobando mais vertentes da música eletrônica?
Isso já vem acontecendo há algum tempo. Raves que estão se tornando festivais. Abrir mais espaço para outras vertentes só "colore" ainda mais o evento, trazendo uma mistura de público muito legal. O legal é quando as tribos se misturam mesmo.

Da parceria com Tim Simenon, do Bomb The Bass, o que já rolou até agora e o que mais podemos esperar?
Eu e o Tim falamos quase todos os dias. Encontrei ele em Amsterdam há algumas semanas, quando toquei no festival 5 Days Off. O nosso projeto está bem adiantado. Estou na verdade fazendo um disco autoral com o Tim, que será o novo álbum do Bomb The Bass, escrito e produzido por mim e pelo Tim. Já temos 6 faixas prontas. Estou muuuito animado para que o disco fique pronto logo. A idéia é, antes de sair o álbum todo, de uma vez, lançarmos singles, em diversas gravadoras, com outros artistas remixando tais temas. Já temos o primeiro remix do meu parceiro e amigo Michael Mayer, para o primeiro single. Provavelmente, teremos esse single lançado em parceria entre a Kompakt e o selo !K7, do Bomb The Bass.

Além de Tim Simenon, que outros "big names" já entraram em contato com você para tratar de música e que, no caso, você ficou surpreso?
Fiquei muito feliz com o contato dos Pet Shop Boys, já que escutei muito os caras quando era pequeno. Acho que tem algumas bandas que sempre serão referência, como Depeche Mode, New Order, Cure e Smiths. Também fiquei muito feliz em remixar Moby e recentemente Booka Shade.

Fale-nos um pouco mais sobre o seu novo formato de apresentação, que visa explorar também a linguagem visual.
Não é em todo lugar que consigo executar isso, mas hoje conto com um diretor de fotografia que dirigiu e produziu um lindo material para cada música do meu disco novo. É como se fosse um clipe para cada música. Isso tudo é sincronizado e disparado entre o meu equipamento e o do VJ.

As pessoas insistem em tratar Gui Boratto como "DJ" em muitos lugares, sendo que você é apenas produtor. Em nenhum momento você pensa em começar a fazer sets mixados?
Não tenho essa pretensão. Meu lance é produzir e mostrar esse trabalho para as pessoas, ao vivo. Além do mais, eu não compro música, nem sou super antenado para os novos lançamentos desse vasto mercado, o que um DJ faz diariamente.

Por Guigo Monfrinato
Fonte: Essential

mais: www.myspace.com/guiboratto

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sábado, 8 de agosto de 2009

(entrevista) John Acquaviva

A revista House Mag (edição julho/agosto) publicou uma entrevista bem descontraída com o criador do revolucionário portal beatport, Jonh Acquaviva. Nela o DJ declara seu amor pela música e revela sua outra grande “paixão”. Vale a pena a leitura.

Quando começou seu envolvimento com a música?
Sempre tive o vírus da dance music. Quando era mais novo, no colégio, comprava os discos que mais gostava e tocava para meus amigos nas festas. Continuei sendo o cara que organizava e selecionava as músicas, até que passei das festas do colégio para assumir residências em clubs. Aos 19 anos me tornei o residente de um club em 1982. Comecei a comprar equipamentos de estúdio, conheci o Richie Hawtin e iniciei minha carreira internacional em 1989-90.

Sua carreira deu um salto em 1989, quando você fundou junto com Richie Hawtin o selo Plus 8 Records. Como você descreve o mercado naquela época? Afinal vocês foram bem precursores… Muitas dificuldades?
Não havia e-music por si só ainda. Era analógico na maioria das festas. Era um mundo diferente, certamente. As pessoas que faziam música nos anos 80 e início de 90 eram em sua maioria “freaks”, acreditando em um futuro tecnológico. Eu não me sinto mais como uma “aberração”.

O Definitive Records, também em parceria com Richie, já completou mais de 15 anos. Como você avalia hoje o selo?
Semos uma grande família. Eu mantenho meu foco no Definitive, que é um pouco mais House, e Richie tem o Minus (projeto que se tornou selo) e també a Plus 8 (selo) que também são minimal e techno. Sinto como se fôssemos irmãos, crescemos juntos e damos forças aos nossos artistas como se fossem nossos filhos.

Uma DJ brasileira, a Ingrid, está no seu casting, certo? Algum outro artista do Brasil você destacaria?
Sim, tivemos um release com a Ingrid. Eu adoro a energia dela. Lançamos uma música do Nyllon, Ulisses Nunes, Ilan Kriger e eu tenho muitas produções brasileiras que eu adoro e toco. Os produtores brasileiros, assim como os DJs, estão muito fortes agora.

Em qual DJ que hoje voê conhece e aponta como uma grande revelação para a cena eletrônica?
Acredito que todo mundo conhece ele. Meu talento preferido é o Oliver Giacomotto.

Como surgiu a idéia de lançar o Beatport.com?
Quando muitos de nós começamos a tocar com laptos e tecnologia “final scratch” percebemos a necessidade de mais conteúdo digital. Um grupo nosso sentiu que era finalmente o momento de tornar nossas músicas internacionais, mais acessíveis para um número maior de pessoas, via internet. Hoje ajudamos artistas e labels a chegar nos DJs que são pagos pelo conteúdo. Também oferecemos melhores preços para o cliente que estava pagando muito dinheiro para os vinis e CDs.

Você está praticamente numa permanente turnê mundial. Quais países te chamaram mais a atenção até hoje?
Non-stop tour, é verdade! Estou em turnê há 20 anos. Eu sou um verdadeiro viciado em viagens e música! Assim como comida, eu gosto de várias opções, então cada país e cidade tem seu próprio charme. A América do Sul é demais com o Brasil a frente. Os países pequenos e as cidades pequenas guardam as maiores surpresas porque você nunca sabe o que esperar.

Você tem um histórico de muitas gigs em grandes festivais. Prefere tocar em festivais ou em clubs?
A cada 100 gigs talvez eu toque em 20 festivais. Nossa música é sobre clubs e clubbers. Mas os festivais são os bônus e o lado grande do nosso negócio. Eles têm uma energia muito maior como os grandes concertos tendem a ter. É muito divertido tocar nesses eventos intensos e imensos. Os clubs são muito bons porque você pode fazer sets mais longos e tentar diferentes sons e grooves.

Como você avalia essas duas décadas de carreira como DJ? Pretende seguir na carreira, produzindo e viajando, ainda por um bom tempo?
Estou na primeira divisão internacional por 20 anos, só motivos para ficar feliz e agradecer. Eu amo música e sempre quis tocar as pessoas com ela, seja ela minha própria música ou tocando músicas de outros produtores que admiro. Ainda faço e, mais importante, as pessoas ainda me convidam. Então, pra que parar?

Imagina-se em outra profissão?
Sim e não. Música é a minha vida e eu vivo quase tudo que faz parte deste universo. Eu adoro comida e cozinho por hobbie, então se não estivesse fazendo música diria que faria esportes o dia inteiro e pensaria seriamente sobre cozinhar o tempo todo.

Suas produções influenciam milhares de DJs ao redor do mundo. O que te inspira na hora de produzir?
Ouvir e, mais importante, achar a nova “música-bomba” de um novo artista/label. Como um verdadeiro viciado, eu vivo para mais uma “bola”. Essa busca me mantém renovado.

Quais tracks/EPs você lançou recentemente?
Dêem uma olhada e registrem-se no meu recém-inaugurado podcast cia meu website ou myspace. Ao menos uma hora a cada mês com playlists da mais novas e melhores faixas.

www.myspace.com/acquavivadj

Por: Davi Paes e Lima (revista House Mag – Julho/Agosto)
Colaborou: Alan Watkins

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domingo, 2 de agosto de 2009

Além de Copacabana

O quinteto curitibano Copacabana Club, que se apresenta no Tribaltech MultiCult Festival, no próximo dia 22.08, vem conquistando público e crítica nacional. Após matéria no caderno Ilustrada, do jornal Folha de São Paulo e exibição do clip “Just Do It” na MTV brasileira, foi a vez da revista TPM se render a banda paranaense.

A jornalista Flora Paul, conta um pouco sobre a história do “Copas” e com a ajuda de Cacá V (vocalista) monta um roteiro para quiser curtir um pouco mais da capital paranaense.

Acompanhe abaixo a reportagem da revista TPM.

Cacá V, vocalista da banda Copacabana Club, faz um roteiro de lugares legais em Curitiba

Ao ouvir o nome Copacabana Club, você pode facilmente pensar que se trata de um grupo formado faz tempo. É um desses nomes bons e, em tese, simples. Soa até um pouco clássico. Mas foi só em meados de 2007 que alguém teve a ideia de usá-lo. “Para decidir o nome da banda tínhamos uma lista com várias opções, e nenhuma tinha mais de dois votos. Durante um ensaio, sugeri que soasse tropical. Começamos a falar palavras e nomes bem brasileiros e na hora que falei Copacabana todos gostaram”, conta Caca V, vocalista do quinteto. O baixista da banda, Tile, arrematou com Club. E fez-se o Copacabana Club, banda curitibana que vem fazendo um sucesso relativo e tomando revistas, jornais, trilhas de comerciais e até caiu no gosto do rapper Kanye West, notoriamente cri-cri.

“É um pouco estranho. Mas confesso que ainda não sinto muito essa exposição”, conta Cacá, que ficou sabendo do blog do rapper destacando a banda na procura diária de menções ao grupo na internet. “Levei um susto na hora. A repercussão foi enorme, a partir daí tivemos algumas críticas em blogs internacionais. Mas não tivemos contato com ele.” O sucesso rendeu até um certificado de menção do Estado do Paraná, uma espécie de “parabéns” oficial da Assembleia Legislativa paranaense. “Foi engraçado porque meu avô sabe da banda, mas não sabe muito o que tocamos, o que está acontecendo. Para ele o certificado virou um motivo de orgulho.”

Mesmo sem ter um álbum completo – a banda lançou um EP com as quatro músicas que disponibiliza no MySpace – o grupo faz shows desde o começo da banda. “No início, quando só tínhamos quatro faixas, fazíamos só pocket shows, em festas onde um formato de show nem fazia muito sentido”, conta Cacá. Mas, com a boa recepção do público, se animaram a compor mais. Um ano depois, já reúnem 14 faixas. Com o sucesso relativo, as oportunidades para tocar foram crescendo. Mas a banda ainda enfrenta alguns percalços: “Para o nosso baixista, que trabalha numa empresa, com horário fixo, cartão, todo o esquema tradicional, é complicado. Mas o chefe dele tem acompanhado o nosso trabalho, então dá pra negociar umas faltas para viajar”. O próximo plano do Copas, além de conseguir gravar um CD até o fim do ano, é tocar no maior número de lugares possível.
Além de Copacabana
Cacá V, a vocalista da banda, adotou o apelido para homenagear sua irmã, Vivi. Juntou o apelido de seu nome, Camila Cornelsen, e a inicial do nome da irmã querida. Além da alcunha, também costuma se apresentar nos palcos com produções especiais, evidenciando suas tatuagens (tem nove, inclusive uma no colo, feita durante uma careta faculdade de engenharia). “Dancei sapateado e balé por muitos anos. O que eu mais gostava era dos figurinos e da maquiagem. Quando entrei pra banda já pensava no que usar nos shows”, conta. “Adoro acessórios. Brilhos. Nos palcos, já testei de tudo. Até maquiagem pra criança! Porque com luz, calor e movimento é difícil mesmo manter a estampa.” Maquiagens à prova d´água, pouco pastosas e spray para cabelo também fazem parte da montação. “Mas o truque é se divertir!”

Além das dicas sobre o visual, a curitibana reuniu, para o site da Tpm, um roteiro com lugares legais para visitar em Curitiba. Vai lá!


Para dançar

“Ultimamente tenho saído pouco, mas quando saio pra dançar vou ao James e ao Wonka. Gosto de ir ver shows e os amigos DJs.”

Ambiente do James Bar

James Bar (foto)
R. Vicente Machado, 894, Batel, Curitiba
Tel.: (41) 3222-1426.
Confira horários e programação no
www.barjames.com.br

Wonka Bar
R. Trajano Reis, 326, centro, Curitiba
De domingo a domingo a partir das 20h, sábados às 22h.
Quanto? R$ 10 a R$ 20.
Tel.: (41) 3026-6272

Para esquentar  “Para ´esquentar´ para a balada, às vezes vou ao Kitinete. Ou senão tomar um sgroppino, drink gelado de limão, no Piola. Nos dias de semana, para encontrar os amigos depois do trabalho, a Mercearia Fantinato é ótima. E a melhor comida é a de boteco.”

Kitinete Bar
R. Duque de Caxias, 175, São Francisco, Curitiba
De segunda a quinta das 20h à 1h.
Sexta e sábado das 20h às 2h.
Tel.: (41) 8434-0314

Piola
Al. D. Pedro II, 105, Batel, Curitiba
De domingo a quarta das 18h à 1h.
De quinta a sábado das 18h às 2h.
Tel.: (41) 3225-7725.
www.piola.it

Mercearia Fantinato
R. Mateus Leme, 2.553, Bom Retiro, Curitiba
De segunda a sábado das 17h à 1h.
Tel.: (41) 3023-1953

Para vestir “A casa da Tiça Muniz, da Flor de Vedete. Ela faz roupas vintage lindas e tem um acervo bem bacana. No centro tem vários legais, mas tem que fuçar.”

Flor de Vedete
R. Domingos Nascimento, 285, Bom Retiro, Curitiba
de segunda a sábado das 14h às 19
atende com hora marcada
Tel.: (41) 3018-3576.
www.flickr.com/photos/flordevedete

Para comprar “O Fígaro é um sebo que reúne vinis, livros e objetos antigos (vitrolas, câmeras). Alguns estão à venda e outros estão apenas expostos. Eles têm uma coleção de postais antigos geniais e superbaratos. Para livros mais novos, vou à Fnac.”

Sebo Fígaro
R. Lamenha Lins, 62A, centro, Curitiba
De segunda a sexta das 10h às 19h.
Sábados das 9h às 14h.
Tel.: (41) 3322-13-10.
www.sebofigaro.com.br

Fnac Curitiba
R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600, Barigui, Curitiba
De segunda a sexta das 11h às 23h.
Sábado das 10h às 22h.
Domingos e feriados das 14h às 20h.
Tel.: (41) 2141-2000.
www.fnac.com.br

Para passear “Passar um dia de sol esticada na grama do parque Tingüi tem sido um dos meus passeios prediletos. Não conhecia o parque até pouco tempo, é mais  afastado do centro e mais tranquilo que os outros parques. Para ir ao cinema, gosto do Shopping Novo Batel, que sempre tem filmes alternativos aos das salas comuns.”

Vista aérea do parque Tingüi

Parque Tingüi (foto)
Entre as ruas José Valle e Fredolin Wolf, São João, Curitiba
De segunda a domingo, sem interrupção.
Tel.: (41) 3350-8484

Shopping Novo Batel
Al. Dom Pedro II, 255, Batel, Curitiba
De segunda a sexta das 10h às 22h.
Sábado e domingo das 14h às 22h.
Tel.: (41) 3222-4484.
www.shoppingnovobatel.com.br

Fonte: Revista TPM

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