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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

The Prodigy lança livro com fotos da turnê "Invaders Must Die"

O grupo de música eletrônica Prodigy lançou um uma edição limitada de um livro de fotos documentando toda a turnê "Invaders Must Die".

O livro terá apenas 999 cópias comercializadas e traz 350 páginas recheadas com mais de 500 imagens da turnê de 2008 e 2009.

Além disso, cada cópia do livro será assinada pelos três membros da banda, Liam Howlett, Keith Flint e Maxim Reality.

O lançamento está previsto para o dia 4 de janeiro e o preço estipulado é de 99 libras esterlinas (cerca de R$ 280,00). Mais informações sobre pré-venda podem ser obtidas no site oficial do Prodigy. Abaixo você vê uma foto do livro.

Por: Diego Marques – cifraclubnews

 

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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Homem que ajudou a tornar Woodstock realidade conta a experiência em livro e filme

WASHINGTON - O roteirista e produtor Elliot Tiber tinha 34 anos quando Woodstock aconteceu, em agosto de 1969. Apesar de não ter sido um dos organizadores do festival ou de sequer ter feito parte da plateia de meio milhão de pessoas, Woodstock não teria acontecido sem ele. Foi para salvar o hotel El Mônaco, que seus pais haviam comprado em 1955, em Bethel, Nova York, que Tiber ofereceu o terreno do hotel para o festival. Ele soube que os produtores de Woodstock haviam perdido a licença para realizar o show em Wallkill e entrou em contato com Michael Lang, produtor do evento, e com o vizinho, o produtor de leite Max Yasgur, para oferecer o enorme terreno.

O resto é História, e ela pode ser lida na biografia de Elliot Tiber - "Aconteceu em Woodstock" (BestSeller, R$ 34,90) -, escrita por ele e pelo jornalista Tom Monte. Foi com base neste livro que o cineasta Ang Lee filmou "Aconteceu em Woodstock", que foi exibido em maio no Festival de Cannes, estreia dia 28 nos EUA e chega ao Brasil em janeiro de 2010.

O senhor já viu "Aconteceu em Woodstock"? Achou o filme fiel ao livro?
Já vi o filme oito vezes e acho a história engraçada, leve e ao mesmo tempo apaixonada e fiel ao momento daquela época. É óbvio que a linguagem cinematográfica pede algumas mudanças: minhas três irmãs, por exemplo, acabaram virando uma só no filme, para simplificar. Mas o Ang Lee fez um trabalho ótimo, conseguindo reproduzir, por exemplo, aquela cultura judia nova-iorquina dos meus pais. Aliás, os atores que fizeram meus pais são mesmo muito parecidos com eles.

E o que achou do trabalho do comediante Demetri Martin interpretando o senhor?
Bem, eu era bem mais bonito que ele na época, mas o trabalho dele é excepcional, mostrando com clareza o gay que eu era na época, um sujeito que havia participado das manifestações de Stonewall mas era incapaz de se assumir para a família judia. Ang e James queriam que eu me sentisse feliz com o filme, e eu estou felicíssimo com ele.

Muita gente acha que faltou falar mais dos artistas que se apresentaram no festival.
Mas o filme, assim como o livro, não foi feito para falar dos artistas. Sobre isso já temos muitos documentários, livros e estudos. Minha ideia, e acho que a de Ang Lee, era mostrar os bastidores daquela festa, como ela se tornou possível, e nessa tarefa eles foram muito bem.

As comemorações dos 40 anos de Woodstock parecem maiores do que os eventos dos 20 anos do festival...
E estão sendo mesmo. Eu acho que só mesmo o tempo faz a gente ter uma dimensão exata da importância de determinadas coisas ou pessoas em nossas vidas. A geração que viveu Woodstock está hoje nos seus 60 ou 70 anos, muitos já morreram. E o impacto hoje, na nova geração, é maior.

Como assim?
A realidade americana hoje é de uma crise econômica sem precedentes, duas guerras e um constante sentimento de sobressalto em relação às ameaças terroristas. Viramos um país com medo. Daí, quando se percebe que, em 1969, apesar da Guerra do Vietnã e do presidente Nixon, era possível ser livre e feliz, isso tem um impacto e traz uma nostalgia e uma surpresa imensas. Éramos capazes de ser libertários, de interagir, de brigar pela paz sem vergonha disso. As drogas eram maconha e ácido, drogas gregárias, nada das drogas sintéticas egocêntricas de hoje. A gente se divertia em rolar na lama. Essa simplicidade e alegria de viver meio que se perderam hoje.

E o principal legado de Woodstock, para o senhor, é um legado comportamental, cultural ou musical?
Eu não tinha a menor noção de como o festival mudaria a minha vida e a vida de toda uma geração. Foram três dias de rock e mensagens em defesa do amor livre e da paz no mundo como nunca mais se repetiu. Afinal, era meio milhão de pessoas em Bethel e outras tantas presas no engarrafamento a caminho da festa. Eu levei três anos escrevendo o livro e dois negociando a produção do filme com Ang Lee. E o que eu percebi, nesse meio-tempo, foi que Woodstock mudou a forma como víamos o rock, os jovens, a guerra e até o sexo. Tudo passou a ser olhado com mais seriedade.

E as suas mudanças pessoais? Woodstock o ajudou a se assumir como gay?
Completamente, e isso está claro no livro e no filme. E é bom que seja assim, porque o processo de assumir-se não é o mesmo para todo mundo. Estou cansado de filmes com gays estereotipados, e "Aconteceu em Woodstock" conta a história de uma pessoa que pode ser um exemplo de vida, por achar o seu caminho e sua identidade. E essa é a lição de otimismo e fé na vida que o livro e o filme passam, de forma divertida.

O senhor acabou não assistindo a um show sequer do festival.
Não assisti porque o nosso hotel virou o quartel-general dos organizadores de Woodstock, e nós tivemos um trabalho enorme para viabilizar aquela festa. Mas eu ouvia os artistas do lago ao lado do hotel. E o que eu ouvia era excepcional. O rock produzido e exibido ali era uma mensagem libertária, com letras geniais, bem diferentes do desabafo violento e preconceituoso do hip hop ou do rock pesado atuais. A trilha de Woodstock ficou comigo, ainda que minha cantora favorita seja mesmo a Judy Garland.

E as críticas sobre as drogas e de que aquilo era um evento para hippies?
Era a voz dos conservadores da época, muito parecida com a dos conservadores de hoje. Nosso hotel acabou funcionando como uma espécie de posto de saúde, e o que se via eram casos de gente bêbada ou muito doida de ácido. Ninguém morreu, coisa que seria impensável hoje num festival com 500 mil pessoas.

A cultura americana ficou melhor depois de Woodstock?
Não tenho a menor dúvida. Os eventos daquele verão em Nova York já foram reconhecidos como uma virada na vida cultural americana. E foi tudo tão por acaso...

O senhor agora trabalha na realização do Gaystock? Pode explicar do que se trata?
É um festival de música com bandas de gays e lésbicas para um público homossexual. Há um enorme mercado consumidor para este público que não é bem atendido. Eu não falo só das músicas, mas do pacote musical completo, que inclui as letras e o comportamento das bandas. Deve ser em Miami, onde moro parte do ano. E até sobre isso eu preciso agradecer a Woodstock, porque foi com a visibilidade dos 40 anos do festival que alguns estúdios se interessaram em montar o festival comigo. Ainda não tem data marcada.

Seu livro está sendo lançado em português. O senhor conhece o Brasil?
Fui ao Rio há 20 anos e adorei. Achei magnífico, apesar das recomendações que todos fazem para que os turistas tomem cuidado com a violência. Eu até aprendi umas palavras em português, mas a esta altura já não me atrevo a falar nada.

Por: Gilberto Scofield Jr (O Globo)

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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Heroína e Rock'n'Roll

O Diário de um Ano Devastador na Vida de um Astro do Rock

O lema "sexo, drogas e rock n' roll" foi seguido à risca pelo roqueiro Nikki Sixx, baixista da banda Mötley Crüe. Até o ponto em que as drogas --especialmente a heroína-- tomaram conta de sua vida.

No desconcertante "Heroína e Rock'n'Roll: O Diário de um Ano Devastador na Vida de um Astro do Rock", o músico abre o jogo e publica a transcrição de notas de seu diário pessoal, retratando o atribulado período em que se envolveu com a heroína e a cocaína. Comentários do músico e de pessoas próximas a ele completam a biografia.

Fonte: Folha on line

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sexta-feira, 19 de junho de 2009

A história da música pop brasileira em livros

O site skolbeats publicou uma lista de livros que relatam um pouco da música brasileira. Dos listados pelo site já li "Todo DJ já sambou" e recentemente "Festa Infinita". Esse último li mais por curiosidade, de tanto que se comentava sobre ele nos blogs e sites relacionados, não gostei muito do posicionamento do autor a começar pelo subtitulo "o entorpecente mundo das raves".

Já o livro da Claudia Assef é muito bom para se conhecer um pouco da história da música eletrônica no país. Leitura obrigatória.

A maioria dos livros foram escritos por JORNALISTAS, por que será que os cozinheiros ainda não publicaram nenhum livro do tipo? [ainda PUTO com a decisão do STF em relação ao diploma do curso de Jornalismo]

Veja dicas de livros sobre música e comportamento jovens obrigatórios em qualquer biblioteca

A oferta de livros sobre o universo pop musical brasileiro é bastate reduzida. Mas os poucos títulos lançados já dão um bom apanhado do que aconteceu e vem acontecendo nos universos da música eletrônica, rock e MPB. Nestes dias frios, em que bate uma preguicinha para se jogar na balada, uma ótima dica é ler um bom livro. Por isso selecionamos oito títulos que podem ser comprados on line, em livrarias ou em sebos. Tem desde o hedonismo clubber narrado por Erika Palomino em Babado Forte até os relatos sobre a interferência da ditadura militar no trabalho das músicas na década de 1970 por Ana Maria Bahiana em Nada Será Como Antes. Escolha o seu e boa leitura!

Todo DJ Já Sambou - A história do disc-jóquei no Brasil (Ed. Conrad)
O livro é uma grande reportagem feita pela jornalista Claudia Assef que conta como a cultura do DJ se desenvolveu no país. Desde o veterano Osvaldo Pereira e sua "orquestra invisível", nos tempos do grandes bailes em São Paulo, passando pelos atuais top DJs e a cultura clubber, o livro deixa a história ser contada por quem comanda as picapes. Com várias fotos, Todo DJ Já Sambou é um clássico na prateleira de música e comportamento jovens.

Babado Forte - Moda, música e noite (Ed. Mandarim)
Quem não frequentou o Hell's Club no começo dos anos 1990 não sabe o que perdeu. Mas pode saber um pouco sobre o nascimento do techno e da cultura clubber em Babado Forte da jornalista Érika Palomino. O livro é uma consequência direta da coluna que ela manteve no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, e da jogação vivida naqueles primórdios da música eletrônica no eixo Rio-São Paulo. Érika conta mil histórias sobre os frequentadores famosos ou não da noite que lançaram modas e influenciaram toda uma geração. A prometida segunda edição revisada ainda não saiu, e se prepare para revirar muitos sebos para encontrar o livro.

Festa Infinita - O entorpecente mundo das raves (Ed. Ediouro)
Retrato documental do universo raver brasileiro, escrito em forma de romance. O livro do jornalista Tomás Chiaverini foi lançado este ano e é um dos melhores textos desta lista. O autor passa de entrevistador/pesquisador a amigo dos personagens para mostrar como funciona o mundo das raves, desde a organização das festas até a polêmica com o uso de drogas e a ação da polícia. Entre os entrevistados estão André Meyer, Dmitri Rugiero e Rica Amaral, gente que fez as raves virarem um grande negócio no país. O autor vai a raves famosas - Universo Paralello, Transcendence, Tribe e Respect - para contar tudo o que rola no mundo psicodélico e natureba das raves.

Madame Satã - O templo do underground dos anos 80 (Ed. Lira)
O clube Madame Satã foi um dos epicentros da cultura jovem nos anos 1980 em São Paulo, reunindo punks, góticos e toda sorte de alternativos de plantão. Amado por muitos, freqüentado por alguns e conhecido por todos, o Madame Satã tem neste livro sua história contada pelo autor Marcelo Leite de Moraes e por seus freqüentadores que ali começaram bandas do rock, carreiras literárias, grupos de teatro, amores e amizades. As entrevistas com os frequentadores da casa é a melhor parte do livro.

Dias de Luta - O rock e o Brasil dos anos 80 (Ed. DBA)
Não houve em toda a história da cultura pop brasileira período tão instigante e aventureiro, tão cheio de iniciativa e tão repleto de causos quanto os anos 80. Um tempo em que era bacana ser jovem, tudo parecia ser novidade, pensava-se que o mundo nunca mais seria o mesmo depois do simples gesto de adentrar em uma danceteria. Costurando mais de 100 entrevistas inéditas (com Renato Russo, Herbert Vianna, Lulu Santos, Paulo Ricardo, Marcelo Fromer, Dinho Ouro Preto, Nando Reis e muitos outros) a pesquisa detalhista e reportagem de fôlego, o jornalista Ricardo Alexandre reconstrói de forma divertida e reveladora a década que nos deu a democracia, Blitz, Legião Urbana, Cazuza, Paralamas, Titãs e ombreiras enormes.

Nada Será Como Antes (Ed. Senac Rio)
A jornalista Ana Maria Bahiana faz um retorno musical a uma das décadas de maior efervescência cultural no país, a dos anos 1970. O período era de governo militar e a censura estava em quase todos os lugares. "Tudo estava acontecendo secretamente, e a informação circulava entre as tribos", diz Ana Maria Bahiana. Depois de trabalhar durante toda a década de 1970 como repórter de música, em jornais e revistas, Ana Maria percebeu que tinha em mãos uma parte da história desta geração que parecia não ter acontecido. O livro traz entrevistas que foram censuradas na é poca, entrevistas exclusivas com Tim Maia e Raul Seixas e dois artigos, um sobre rock e outro sobre MPB. Obrigatório!

Por: Ivi Brasil - skolbeats

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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Obra do jovem Stephan Doitschinof vira filme e vídeo

Rola amanhã no MAM o lançamento do livro Calma - The Art of Stephan Doitschinoff, acompanhado da exibição do documentário Temporal

O livro Calma - The Art of Stephan Doitschinoff é mais um motivo para a geração que apareceu ao grande público junto com o nascimento da Galeria Choque Cultural celebrar. Um dos expoentes da arte intitulada "de rua", Stephan tem agora a chance de imortalizar seu trabalho através de dois registros que qualquer artista sonharia transformar em realidade, já que, além do belíssimo livro, há o lançamento do documentário Temporal.

A publicação, que documenta seu trabalho nos últimos três anos, é da editora alemã Gestalten, e conta com textos de Tristan Manco, artista inglês autor do livro Grafitti Brasil, entre outros títulos, e Carlo McCormick, crítico, curador e editor chefe da revista americana Paper Mag. O próprio Stephan Doitschinoff tem cinco contos sobre o seu trabalho diário na cidade de Lençóis, uma comunidade quilombola na Bahia onde morou por dois anos e desenvolveu um trabalho que incorporou a cultura local, mesclando imagens sacras e de cultura regional, caveiras e símbolos alquimistas.

As obras anteriores à experiência em Lençóis e a produção da época de sua residência artística na Inglaterra também estão no livro. Já o curta-metragem Temporal abrange a experiência artística de Stephan, que relata suas impressões, desafios e êxitos neste projeto. O filme conta com o patrocínio da Plastik e da Evoke. Confira a entrevista que Stephan deu ao Skol Beats:

Você pinta motivos religiosos por influência dos seus pais e da sua educação? Como vê a religião hoje em dia? Segue alguma?
Cresci em São Paulo, numa família fundamentalista cristã, meu pai era pastor de uma igreja evangélica protestante e minha mãe trabalhava lá também, por isso eu praticamente cresci dentro da igreja. Como minha família não tinha muitas posses, e minha mãe não tinha uma babá, eu e minhas irmãs fomos criados dentro da igreja e acabávamos assistindo todos os cultos da semana. Ainda hoje lembro de memória várias passagens da bíblia e músicas religiosas. Acho que isso tudo influencia bastante meu trabalho hoje em dia.

O que tirou da experiência de morar em Lençóis para o seu trabalho e para a vida?
Ainda não digeri a experiência e nem tive tempo de pensar muito nisso, foram dois anos e acabei de voltar. Por enquanto, o que dá pra sentir é a vontade de ir embora de São Paulo de novo.

Consegue pintar em São Paulo?
Acabo pintando ou desenhando em qualquer lugar. Se tem uma infra, eu vou desenvolver uma peça maior e mais elaborada. Quando estou viajando, normalmente levo um caderno e vou desenhando e escrevendo.

O que gosta de ouvir para pintar? A música te influencia?
Sim, bastante. Tenho ouvido um álbum que eu peguei recentemente do N.O.T.A, "None of the Above", que é muito bom. Fora isso, escuto muito JawBreaker , JFA, Morto Pela Escola, Immortal Technique. Umas apresentações antigas do Bill Hicks, alguns áudio books e spoken words também.

O que mais te influencia?
O que me influencia mais é o que eu estou lendo ou estudando, o lugar onde estou morando, o que atravessa a retina e as pessoas que eu gosto e com quem me relaciono.

Gosta de música eletrônica?
Sim, tenho ouvido muito MixHell, Baron Zen, Zero Zero, Ill Bill, Ratatat e The Faint.

Como é ser tão jovem e já ter um livro e um filme sobre sua obra?
É um honra, principalmente pela maneira como tudo foi feito e pela oportunidade de poder trabalhar e me envolver com profissionais que eu admiro muito, como o Pedro Inoue, que fez a direção de arte e a tipografia do livro CALMA, além de colaborar com o documentário Temporal. E também com o Jair Peres, a Sonia Onate, a Nicole Heiniger, o Rafael Jacinto da CIA de foto, o Tristan Manco, o Carlo McCormick, e o pessoal da Gestalten, MovieArt, Evoke e Plastik.

Tem vontade de usar outras técnicas, mudar seu estilo ou o tema (religião)?
Tenho vontade de trabalhar mais com objetos e com escultura. Já estou trabalhando em duas séries e em uma nova escultura que estará na minha próxima expo, em novembro.

+ info

www.stephandoit.com.br

Carol Ramos, texto
Sonia Onate
, foto

Fonte: skolbeats

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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Direito de resposta: autor de “Festa Infinita” rebate acusações

No último dia 24 de abril, o Psyte publicou uma resenha da jornalista e produtora cultural Milene Sodré, que critica o livro “Festa Infinita – o entorpecente mundo das raves” e acusa do autor de supostas distorções em algumas transcrições das entrevistas. Como direito de resposta, postamos abaixo a réplica de Tomás Chiaverini, autor do livro.

Muito tem se falado, no meio eletrônico, sobre o livro “Festa Infinita”, que acabo de lançar. A maioria das críticas tem sido positiva, mas mesmo quando há comentários negativos, tenho os recebido em silêncio. Todos têm o direito de omitir suas opiniões livremente. Vez ou outra, contudo, os críticos exageram, chegando a disseminar boatos e fatos inverídicos. É esse o caso da resenha de Milene Sodré, e é neste caso que me sinto na obrigação de responder. Vou responder em tópicos apenas às afirmações que me parecem mais ofensivas e descabidas. Vamos a elas.

1) Milene Sodré, que é jornalista formada em uma das melhores universidades do país, não se deu ao trabalho de ler o livro inteiro antes de escrever sua resenha. Acho isso uma afronta ao meu trabalho.

2) Eu realmente publiquei um diálogo sem autorização dela, como apontado no texto. Acontece que, seguindo a ética jornalística para ocasiões deste tipo, não a identifiquei no texto. Repito, seu nome não aparece no texto.

3) O grupo Fuck for Forest, cujos integrantes têm o nome citado, concordaram em ser retratados no livro.

4) Eu tinha autorização dos produtores do festival para cobrir o evento e retratar todos os seus detalhes, desde que preservando o direito de privacidade dos participantes, como foi feito no caso de Milene Sodré, até que ela resolveu se identificar na própria resenha.

5) A conversa foi transcrita exatamente como aconteceu.

6) Surpreende-me muito o fato de uma jornalista formada na UnB desconhecer formas de jornalismo imersivo em que autores vão a fundo e buscam sentir experiências na própria pele para melhor transmitir uma realidade a seus leitores. Imagino, portanto, que ela nunca tenha ouvido falar de “novo jornalismo” ou de “jornalismo literário”. Imagino que ela deva desconhecer figuras icônicas do jornalismo mundial, como Gunter Wallraf (jornalista alemão que se disfarçou de turco para mostrar a condição dos imigrantes na Alemanha), ou de Gay Talese (que chegou a frequentar casas de massagem para escrever sobre costumes sexuais nos EUA, e que estará na Flip deste ano).

7) É humanamente impossível para qualquer jornalista cobrir todos as facetas de um assunto. Escolhi ir de ônibus ao Trancendece, porque assim retrataria um grupo de ravers. Infelizmente, não tive condições de ir também de carro.

8 ) Milene Sodré diz que nenhum produtor de rave me conhece, o que é uma grande besteira. Conheço muitos produtores, a maioria dos grandes de São Paulo e alguns de outros estados. Seus chefes, por exemplo, me conhecem bem, pois os entrevistei diversas vezes

9) Não recolhi informações de forma sorrateira, e sim investigativa. Todas as pessoas que tiveram o nome retratado no livro concordaram com isso e sabiam estar diante de um repórter.

10) Meu trabalho não se enquadra no jornalismo marrom, não é sensacionalista, e muito menos superficial. Passei um ano estudando o mesmo assunto e entrevistei quase 100 pessoas.

Para quem quiser uma resenha séria do livro, feita por um jornalista imparcial e competente, recomendo o blog do Mauro Ferreira

Por: Marcelo Fontenele - Psyte

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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Fundador do Bestival lança livro sobre festivais

Rob Da Bank destrincha trajetória pelos festivais britânicos em livro ilustrado por sua esposa

Uma das figuras mais influentes da cena britânica, Rob Da Bank começou suas atividades como promoter, em 95, no comando da noite semanal Sunday Best, em Battersea, Londres. Logo se tornou um dos mais respeitados organizadores de festivais com seu Bestival, criado em 2004, que faturou três vezes o prêmio de Melhor Festival de Médio Porte pelo UK Festival Awards (2005, 2006, 2007).

O aconchegante festival não é tão grande quanto o Glastonbury, porém recebe o mesmo carinho e prestígio de seus frequentadores. Rob também está à frente do selo Sunday Best Records, que já lançou nomes como Groove Armada, e faz um "bico" como DJ na BBC Radio1.

Seu livro, A-Z of Festival, surgiu como uma celebração pessoal da música e dos festivais, que já podem ser considerados uma parte intrínseca do verão britânico. O livro comenta diversos eventos não só da Inglaterra, mas discorre sobre desde Glastonbury a Coachella, de Paul McCartney a Ozzy Osbourne, do BBC Radio One ao Woodstock, fechando com uma carta pessoal para os organizadores deste último.

Rob escreve seu relato com o know how do assunto, já que pensa em festivais 365 dias por ano, 12 horas por dia. As ilustrações, divertidas e excêntricas, são de autoria de sua querida Josie Banks.

Por: Flavinha Campos - Skolbeats

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sexta-feira, 24 de abril de 2009

"Eles são muitos, mas não sabem voar"

Milene Sodré critica Tomás Chiaverini, autor do livro Festa Infinita. A jornalista afirma no texto "Eles são muitos, mas não sabem voar" que houve distorções em seus diálogos publicados no livro.

"Em uma entrevista do autor para um site de cultura eletrônica a chamada da matéria dizia que Tomás era um bom jornalista, daqueles que vai a fundo nas histórias, e que para fazer Festa Infinita tinha até passado 30 horas num ônibus para conhecer os ravers, 20 dias acompanhando de perto a produção de um festival e, pasmem, tomado ecstasy. Depois disso desisti de vez do livro e entrevistas a respeito."

Eles são muitos, mas não sabem voar

Foi lançado recentemente, pela editora Ediouro, o livro Festa Infinita, o entorpecente mundo das raves, de Tomás Chiaverini. Logo de cara pensei “lá vem mais uma daquelas publicações falando sobre drogas”. Mas o que viria a seguir era pior do que apenas mais uma matéria falando do mesmo tópico de sempre.

O falatório na internet entorno do assunto era tanto que resolvi dar uma olhada em alguns trechos do livro e entrevistas a respeito. Ironia do destino, ou não, deparei de primeira com a tradução de uma conversa minha com Tommy, um dos integrantes de um grupo estrangeiro de sexo explícito, o Fuck For Forest, contratados para um show, em ambiente fechado e restrito para maiores, em uma festa de arte e cultura alternativa, que acontece já há alguns anos na calorosa Bahia.

O jovem escritor começa a transcrição da conversa, analisada e publicada sem autorização, da seguinte forma: “a produtora, com seu inglês abrasileirado (...)”, e mais adiante continua: “Tommy, com seu inglês perfeito (...)”. Ora bolas, o que tem haver se meu inglês tem sotaque ou não, o que importa é que a comunicação seja estabelecida entre ambas as partes, fato que sempre ocorreu nas minhas conversas informais, viagens e trabalhos. Tommy fala inglês fluentemente porque nasceu e cresceu na Europa, ele é o típico viajante, era o mínimo a se esperar, por isso não entendi a necessidade da comparação do autor. A princípio achei um tanto quanto preconceituoso, mas relevei.

A história no livro prossegue, deixo passar mais uma ou duas coisinhas que me parecem estranhas até que chega “o grand finale” onde, catastroficamente, o autor traduz uma idéia minha ao Tommy da seguinte forma: “as pessoas da região são pobres, não tem nem o que comer, como você espera que elas entendam o amor?” Meu Deus! Tudo bem que meu inglês não seja incrível como de Tommy, mas não saber a diferença entre amor e sexo seria demais. Hoje, no Brasil, até uma criança sabe a diferença entre LOVE e SEX. E, de fato, o que disse é que a comunidade local não entenderia free sex (sexo livre).

Passei 15 dias com o grupo antes do show, fora as horas de leitura e pesquisa prévia na internet sobre o trabalho deles, estava cansada de saber que o lance não era fazer amor e sim sexo explícito mesmo, sexo livre, com todo e qualquer um que se dispusesse a participar, tudo em prol da natureza, até por isso eles se definem como um grupo de eco porn (pornô ecológico). Que transcrição infeliz essa. Sem autorização para entrevista, muito menos para publicação, além da falta de fidelidade com as palavras.

Outras pessoas citadas no livro, profissionais respeitados, que trabalham há anos na cena, que geram emprego e renda para centenas de pessoas em seus encontros, me relataram o mesmo problema. O livro é uma festa infinita de transcrições distorcidas e palavras não autorizadas à publicação.

Em uma entrevista do autor para um site de cultura eletrônica a chamada da matéria dizia que Tomás era um bom jornalista, daqueles que vai a fundo nas histórias, e que para fazer Festa Infinita tinha até passado 30 horas num ônibus para conhecer os ravers, 20 dias acompanhando de perto a produção de um festival e, pasmem, tomado ecstasy. Depois disso desisti de vez do livro e entrevistas a respeito.

Para mim é evidente a irrelevância da publicação e imaturidade do autor, tanto pessoal quanto profissional. Falo isso com a qualidade de quem viu de perto o trabalho de Tomás e também como profissional de jornalismo. Não conheço, nem nunca ouvi falar, uma única escola de jornalismo no mundo que ensine a seus alunos que para ser um bom profissional, sério e competente, o jornalista precise viver o que vivem seus entrevistados. Se fosse assim seria essa a profissão mais injusta de todas, um verdadeiro terror.

Imaginem pelo que passaria o pobre jornalista de guerra. Teria ele que atirar bombas e tomar tiros para compreender o tamanho do sofrimento na fronte? Pior, coitado daquele que fosse pautado para desvendar a prostituição nas ruas. Será que “o bom jornalista” precisaria mesmo partir libidinoso às ruas e vender prazeres sexuais para descobrir que ganhar a vida com o corpinho não é nada mole? Claro que não.

Ou seja, Tomás andou horas de ônibus para conhecer no máximo 40 participantes de uma festa que recebe 8 mil pessoas. Cadê a visão de quem foi de carro, de avião, de carona, de bike ou mesmo a pé (acreditem, tem gente que vai a pé). Passou 20 dias com a produção e não conheceu a fundo ninguém, pois até onde sei não tem um produtor da festa em questão que saiba, de fato, quem ele é. Recolheu informações sorrateiramente e ainda conseguiu distorce-las. E o pior (ou mais engraçado, já nem sei mais), tomou ecstasy porque quis. Jornal nenhum do mundo pediria ou o obrigaria seu funcionário a tomar algo para conceder maior veracidade à matéria.

O bom jornalista é aquele que fala com o maior número de pessoas possível a respeito do assunto, gente de diferentes ângulos de observação dentro do ocorrido e, principalmente, diferentes opiniões. Um balanço de todos os relatos captados conduz a linha da reportagem. Essa é a analise proporcional dos fatos que, junto a uma pesquisa prévia sobre o assunto, garante a riqueza da matéria.

Com tanta coisa pra contar mais uma vez a cena eletrônica é divulgada pela ótica das drogas, visão completamente parcial do todo. Logo na capa a referência “entorpecente mundo das raves”, e se isso não é referência eu não sei mais o que pode ser. Quem sabe não terá sido uma bad trip do autor?

Enfim o que quero mesmo é fazer um alerta a todos que curtem e trabalham sério na cena eletrônica. Cuidado! Movimentos de contracultura sempre foram prato cheio para mídia marrom, sensacionalista e superficial, que está aí só para chamar a tenção e ganhar dinheiro.

É preciso sim se divertir, fazer amigos, socializar. É principalmente para isso que as festas existem. Celebre sempre! Porém não se esqueçam que não somos mais cem cabeças na pista. Hoje somos milhares e é preciso se preservar.

Se abra com o seu amigo, com o amigo do seu amigo. Passou disso, até segunda ordem, seja apenas gentil. Tem muita gente estranha chegando de curioso na cena, gente que não sabe o valor do processo coletivo, a riqueza do trabalho em comunidade, gente pensando sempre em benefício próprio.

Em tristes episódios como esse, em que somos alvos do olhar raso dos outros, busco conforto na lembrança de artistas brilhantes como a banda Secos e Molhados que, mesmo em plena ditadura militar, não se calaram e ainda cantaram, em alto e bom som, “eles são muitos, mas não sabem voar".

(*) Milene é produtora cultural e jornalista formada pela Universidade de Brasília.

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quarta-feira, 25 de março de 2009

Jornalista destrincha o mundo das raves

Por Camilo Rocha

Alguns meses atrás, fui procurado por um cara chamado Tomás Chiaverini. Ele se apresentou como jornalista, disse que estava preparando um livro sobre raves e que queria me entrevistar. Minha reação inicial foi de ceticismo. O próprio Tomás admitia que não sabia nada de música eletrônica.

Acontece que o Tomás é um bom jornalista. E o bom jornalista não precisa ter conhecimento prévio do assunto que vai abordar. O bom jornalista mergulha naquele assunto, pesquisa, fuça, entrevista, convive com os personagens e, a partir daí, extrai sua história. O livro anterior do Tomás, por exemplo, Cama de Cimento, relata o cotidiano dos sem-teto. Para contar essa história, Tomás virou morador de rua de verdade.

Já em sua pesquisa sobre as raves, ele tomou ecstasy, viajou com a galera de ônibus para a Bahia, frequentou um monte de festas e conversou com dezenas de pessoas desse meio. O resultado é o livro Festa Infinita - O Entorpecente Mundo das Raves, lançado agora pela Ediouro. Ainda não li, mas é certo que vem polêmica por aí. A galope.

O Tomás concorda. Falamos sobre este e outros assuntos na entrevista a seguir:

Por que escrever um livro sobre as raves? O que lhe atraiu nesse tema?
Tive a idéia de escrever o livro quando estava de férias na Bahia e conheci um pessoal que estava indo para o Universo Paralello. Quando eles começaram a falar sobre festas que duram semanas, que atraem dezenas de milhares de pessoas, que são organizadas em praias isoladas, desertos, galpões, que têm toda essa cultura meio neo-hippie por trás, já fiquei pra lá de interessado no assunto.

Depois de pesquisar um pouco, as questões mais antropológicas também me fascinaram: até onde vai o impacto de um festival gigantesco numa cidadezinha baiana, como convivem dez mil pessoas acampadas durante dias num mesmo lugar isolado, como o transe pela música age na nossa cabeça, e assim por diante.

Qual é a balada que costumava frequentar antes? Que tipo de música gostava?
Sou bem eclético no gosto musical, ouço de tudo. Mas o que gosto mais é MPB e rock, com carinho especial pelos clássicos. Quanto às baladas, sempre dei preferência pros botecos, com abundância de amigos e cerveja.

Você me contou que não sabia nada sobre o assunto antes de começar a pesquisa. Mas certamente tinha algumas ideias pré-concebidas sobre esse universo. Quais eram? Quais provaram estar certas e quais erradas?
Como não podia deixar de ser, eu tinha um pouco aquela visão de templo da perdição, que a imprensa geralmente passa sobre as raves. E, convenhamos, há algumas festas que não estão tão longe desse estereótipo. Mas eu imaginava as raves como algo mais soturno, algo mais próximo do punk do que do hippie, visão que hoje me parece incorreta.

JORNALISMO HUMANO

Quais foram as maiores dificuldades que teve durante a pesquisa e elaboração do livro?
Eu faço um jornalismo que é bem diferente do que encontramos nos jornais e revistas tradicionais. É um jornalismo humano, muito voltado pra histórias de vida, pra personagens. E para que esses personagens ganhem profundidade, é preciso uma aproximação muito grande entre o repórter e o entrevistado, o que é muito difícil.

Primeiro porque sou um pouco tímido, então tenho de me esforçar pra me aproximar de desconhecidos. Segundo porque quando essa aproximação acontece, ela quase sempre traz junto uma relação de amizade o que faz com que seja muito difícil manter um mínimo de imparcialidade.

Destaque alguns personagens interessantes que encontrou em sua pesquisa.
Putz, são vários. Mas tem a história do André Meyer, que antes de ser pioneiro das raves e dos piercings por aqui acompanhou o surgimento das festas em Londres e em Goa. Tem o perfil do Alok e toda a tensão que ele enfrenta nas semanas que antecedem o Universo Paralello. Ah, e tem o pessoal do Fuck For Forest, um grupo de gringos que faz shows de sexo, mantém um site com suas performances, e reverte todo o dinheiro que ganha para causas ambientais.

Que DJs e núcleos de festa entrevistou?
Também foram vários. Mas os DJs que estão na ativa e que aparecem bastante no livro são o Rica Amaral, o Gabriel Serrasqueiro (do Wrecked Machines), o Du Serena, o Swarup e o Edu (da Respect). As festas mais retratadas são a Respect, a Xxxperience, a Tribe, o Trancendence e o Universo Paralello. Além disso, têm os DJs pioneiros: André Meyer, Dmitri Rugiero (da Avonts), tem o pessoal da Fusion, têm um pouco das suas festas, que começaram a juntar o mundo eletrônico urbano com as raves que vinham de Trancoso, enfim, muita coisa.

DESCONFIANÇA

Você encontrou muita desconfiança de algumas pessoas na cena, justamente por ser de fora?
Um pouco. Mas tem muita gente esclarecida também, que entende que o fato de eu ser de fora e estar propondo um trabalho sério, é um ponto a favor. Quer dizer, como um outsider, eu tenho muito mais liberdade pra buscar o máximo de imparcialidade.

No final, qual é sua conclusão sobre o modo como a mídia ou a opinião "mainstream" vê as raves. É uma visão injusta? Por quê?
Eu acho que sim, porque as raves geralmente ganham espaço na grande imprensa quando alguém morre de overdose, despenca do penhasco ou é esmagado por uma caixa de som. Por outro lado, é assim que a imprensa funciona, à base de más notícias. E funciona assim, porque é isso que vende jornal, os telejornais têm mais audiência quando mostram catástrofes. Então é injusto? É, mas faz parte do jogo, da natureza humana...

Seu release diz que o livro quer mostrar que o mundo das raves vai muito além das drogas e que este seria praticamente o único aspecto abordado pelos jornais. Ao mesmo tempo, o subtitulo parece ressaltar justamente esse aspecto ("o mundo entorpecente das raves"). Não há uma certa contradição aí?

Não creio que haja contradição. Porque o livro vai realmente além da questão das drogas, mas isso não quer dizer que esse lado não seja retratado. Eu acredito que as drogas, principalmente o ecstasy e o LSD estejam intimamente ligadas com a história da música eletrônica.

O ecstasy, que apareceu junto com o house e o techno, foi um dos principais responsáveis pela popularização desses gêneros. E não tenho medo de afirmar que atualmente a maior parte dos freqüentadores de rave usa algum tipo de droga ilícita. Agora, o que me proponho no livro, é a fazer um retrato menos maniqueísta desse aspecto também, é mostrar as mais diversas facetas da questão.

Ainda não tive a oportunidade de ler o livro. Estou curioso em saber o nível de polêmica que vai levantar, dentro e fora da cena. Você acha que ele tem potencial polêmico?
Eu acho que o Festa Infinita vai causar polêmica dentro e fora da cena, e talvez a questão das drogas seja a mais crítica. Como disse, eu faço um retrato multifacetado da questão. Eu tomo um ecstasy, vou para a pista de dança e conto cada uma das sensações maravilhosas que ele causa. Mas também mostro o que acontece no dia seguinte, detalho os efeitos colaterais no organismo, abordo a questão da violência aliada ao tráfico de drogas, e explicito as ações descabidas da polícia. Então, acho que parte dos aficionados por esse mundo vai me chamar de reacionário, enquanto os reacionários vão me acusar de fazer apologia. Mas, no fim, eu espero que o livro seja maior do que essas polêmicas.

DROGA DEMAIS

Você acha o consumo de drogas excessivo nessa cena?
Acho que sim. Tem muito adolescente que vai a festas apenas pra experimentar uma balinha pela primeira vez. Essa situação se torna mais crítica quando há milhares de pessoas juntas, tomando substâncias que não passaram por nenhum controle de qualidade e podem causar as mais diversas reações no organismo. Mas aí, novamente não podemos colocar a culpa nas raves. Temos o carnaval, as micaretas, os bailes funks, os shows de rock e aposto que nesses eventos o consumo de drogas também é exagerado. As drogas são um problema da sociedade como um todo e não é proibindo as raves que vamos acabar com ele.

Quais as coisas que você mais gostou nesse universo?
Em festivais como o Trancendence e o Universo Paralello, há um clima de paz e amor que me surpreendeu bastante. Estar numa praia paradisíaca, cercado de pessoas bonitas, com performances surgindo de todo o canto, música, e com uma sensação de total liberdade, é algo realmente fascinante.

Agora que acabou a pesquisa e o livro ficou pronto, vc pegou gosto pela brincadeira e pretende continuar a frequentar festas eletrônicas?
Eu gostaria de passar outro réveillon no Universo Paralello. Dessa vez sem ter que anotar nada.

Em dado momento, vc me pediu ajudar para tentar diferenciar os estilos de música eletrônica. E agora, já sente que sabe a diferença entre um minimal, um tech-house, um electro?
Agora já me arrisco na catalogação. Mas ainda estou longe de ser um especialista em música eletrônica.

Dica: O livro já está a venda no site da Livraria Cultura e na livraria Saraiva
Dica2: Autor estará na Respect autografando o livro, leia mais.

Dica3: Entrevista do autor para o Psyte

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quarta-feira, 18 de março de 2009

Lançamento do livro - "Festa Infinita - o entorpecente mundo das raves"

Suzano-SP, 17/03/2009
Por: Ligia Varo - Miki Malka

No dia 10 de abril, na festa Respect o jornalista Tomás Chiaverini estará autografando seu livro "Festa Infinita - o entorpecente mundo das raves", lançado pela editoria Ediouro.

O livro é o resultado de mais d
e um ano de trabalho jornalístico, no qual entrevistou inúmeros DJs, produtores e ravers e viajou para os dois principais festivais do país: o Trancendence e o Universo Paralello.

No texto, além de uma série de perfis de DJs e pioneiros do movimento, o leitor encontrará toda a história das raves no Brasil e no mundo, além de experiência
s pessoais do autor, tais como viajar numa excursão até o interior de Goiás, ou pela primeira vez tomar um ecstasy numa pista de dança.

Durante toda a apuração do livro, Tomás manteve o blog www.antesdaestante.wordpress.com, onde foi possível acompanhar os bastidores da apuração do livro. O blog ainda está ativo e vale uma conferida.


"Festa infinita - o entorpecente mundo das raves"
é seu segundo livro. O primeiro chama-se "Cama de Cimento - uma reportagem sobre o povo das ruas", que foi lançado em 2007, também pela Ediouro.

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O trecho abaixo foi retirado do próprio blog do autor (http://antesdaestante.wordpress.com)

"Em 'Festa Infinita, o leitor é convidado a um mergulho no barulhento, colorido e entorpecente mundo das raves. Logo no primeiro capítulo, uma narrativa dinâmica e precisa descreve uma festa do começo ao fim, com toda a intensidade da música, com a efervescência das drogas sintéticas, e com garotos que se penduram pela pele em bizarras e angustiantes performances masoquistas.

A partir daí, o autor cria um amplo panorama desse movimento contracultural, que só no Brasil atrai cerca de 500 mil jovens por mês, para alguma das 1.400 festas, promovidas anualmente em sítios, praias desertas e clareiras no meio do cerrado. Raves que chegam a atrair 30 mil pessoas em “modernos rituais de êxtase coletivo”.

Para dar vida a este mundo sensorial, o repórter entrevistou inúmeros DJs, produtores e aficionados, criando uma trama de perfis que, por meio de casos curiosos, divertidos e até dramáticos, ilustram a história das raves no Brasil. Usando técnicas de imersão próprias do jornalismo literário, o autor conviveu intensamente com os personagens retratados, acompanhou DJs em assustadoras viagens noturnas, e mergulhou em noites de música ininterrupta.

Num ônibus, junto a 40 ravers, empreendeu uma surreal viagem de mais de 30 horas até o interior de Goiás, e passou uma semana acampado num dos maiores festivais de música eletrônica do país. No fim do ano, viajou a uma praia deserta no sul da Bahia onde, por quase um mês, acompanhou a montagem do Universo Paralello - festa que atrai dez mil ravers para mais de uma semana de sol, drogas e dança. Finalmente, para viver e retratar esse universo da forma mais intensa e realista possível arriscou-se a experimentar na própria pele os efeitos do ecstasy somados à música eletrônica.

O resultado desse processo de imersão é um texto fluido e instigante, que mexe com os sentidos, que evidencia o hedonismo descompromissado de parte da juventude atual, e que documenta uma faceta da história contemporânea completamente desconhecida para a maioria dos mortais."

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